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A zona não é só uma erupção: a dor que fica meses

A zona não é só uma erupção: a dor que fica meses
Rogério Junior

Quem teve varicela em criança carrega o vírus adormecido para o resto da vida. Passados cinquenta anos ele pode voltar sob outra forma, e a complicação mais temida não é a erupção: é a dor que sobra depois de a pele sarar.

Quase toda a gente com mais de 50 anos teve varicela em criança. O que poucos sabem é que o vírus não desaparece depois de a doença passar: fica adormecido nos gânglios nervosos, para o resto da vida, à espera de uma oportunidade. Quando as defesas baixam, seja pela idade, por uma doença ou por medicação, ele pode reativar-se e percorrer o trajeto de um nervo até à pele. Chama-se a isso herpes-zóster, ou simplesmente zona.

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O aspeto é característico: uma faixa de bolhas de um só lado do corpo, muitas vezes no tronco, que não atravessa a linha média. Mas o que costuma vir primeiro não é a erupção. É dor, ardor, formigueiro ou uma sensibilidade estranha numa zona da pele, dias antes de aparecer o que quer que seja. É por isso que a zona começa muitas vezes por ser confundida com um problema muscular, uma dor de costas ou até uma dor no peito.

Porque conta chegar cedo à consulta

A complicação que se teme não é a erupção, que sara em algumas semanas. É a nevralgia pós-herpética, uma dor que persiste na mesma zona depois de a pele estar curada e que pode durar meses ou anos. É uma dor de tipo nervoso, descrita como queimadura ou choque elétrico, muitas vezes acompanhada de uma sensibilidade tal que o simples roçar da roupa se torna insuportável. O risco de ela ficar aumenta com a idade e é o que transforma um episódio de algumas semanas num problema crónico.

O tratamento antiviral reduz a duração e a gravidade do episódio e ajuda a diminuir esse risco, mas tem uma janela estreita: deve começar o mais cedo possível, idealmente nas primeiras 72 horas a contar do aparecimento das lesões. Esta é a razão pela qual a zona é uma das situações em que não vale a pena esperar para ver se melhora. Perante uma faixa de bolhas dolorosas de um só lado do corpo, a consulta é para o mesmo dia, e a linha SNS 24 ajuda a encaminhar.

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Há uma localização que exige urgência ainda maior: quando a erupção envolve a testa, a pálpebra, o nariz ou a região à volta do olho, existe risco para a visão e a observação por oftalmologia não pode esperar.

A vacina e quem contagia quem

Existe vacinação contra o herpes-zóster, indicada em adultos a partir dos 50 anos e, em situações de imunossupressão, também mais cedo. Não está incluída no Plano Nacional de Vacinação, o que significa que é paga pelo utente e tem de ser prescrita e discutida em consulta médica. Quem já teve um episódio de zona pode, em regra, ser vacinado depois, precisamente para reduzir o risco de repetição.

É uma conversa que faz sentido ter com o médico de família, sobretudo para quem tem mais de 60 anos, doenças crónicas, medicação que baixa as defesas ou memória de um episódio anterior. As indicações concretas, o esquema de doses e o custo são matéria de consulta e podem mudar ao longo do tempo.

Por fim, uma dúvida que aparece sempre e que convém esclarecer. A zona não se apanha de outra pessoa com zona. O que pode acontecer é o contrário: quem tem lesões ativas pode transmitir o vírus a quem nunca teve varicela nem foi vacinado, e essa pessoa desenvolve varicela, não zona. Enquanto houver bolhas por sarar, convém cobri-las e evitar contacto próximo com grávidas, recém-nascidos e pessoas com as defesas em baixo.

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