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Insuficiência cardíaca: os sinais que se confundem com cansaço da idade

Insuficiência cardíaca: os sinais que se confundem com cansaço da idade
Fernanda M. Reis

Falta de ar a subir escadas, pés inchados ao fim do dia e dormir com almofadas a mais. Três queixas banais que, juntas, apontam para um coração a falhar.

É uma das doenças crónicas mais comuns depois dos 70 anos e uma das que mais internamentos provoca. Mesmo assim, os primeiros sinais são quase sempre atribuídos à idade, o que atrasa o diagnóstico em meses ou anos.

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O que é

O coração deixa de bombear sangue com a eficácia necessária. Não significa que vá parar: significa que o débito não chega para as necessidades do corpo e que o sangue se acumula a montante, nos pulmões e nas pernas.

Os sinais iniciais

Falta de ar em esforços que antes não custavam, como subir um lanço de escadas ou caminhar na rua. Cansaço desproporcionado. Inchaço nos tornozelos e nos pés, que piora ao fim do dia e melhora de manhã. Necessidade de dormir com mais almofadas, ou de acordar com falta de ar a meio da noite.

Juntam-se, por vezes, tosse seca persistente, sobretudo deitado, perda de apetite, sensação de barriga cheia e aumento rápido de peso por retenção de líquidos.

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De onde vem

As causas mais frequentes são a hipertensão arterial mal controlada durante anos, a doença coronária e os enfartes prévios, as doenças das válvulas e a fibrilhação auricular. A diabetes e o consumo excessivo de álcool também contribuem.

Como se confirma

Com avaliação clínica, análises que incluem os chamados péptidos natriuréticos, electrocardiograma e, sobretudo, ecocardiograma, que mostra como o coração está a funcionar e orienta o tratamento.

O tratamento mudou muito

Hoje existem várias classes de medicamentos que, em conjunto, reduzem internamentos e prolongam a vida de forma significativa. Exigem ajustes graduais de dose e análises de controlo, e é por isso que as consultas frequentes no início são tão importantes.

Nunca se deve suspender medicação por iniciativa própria, mesmo quando os sintomas melhoram, porque foi a medicação que os melhorou.

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O que depende de si

Pesar-se todas as manhãs, depois de urinar e antes do pequeno-almoço, sempre com a mesma balança, e anotar. Um aumento de dois a três quilos em poucos dias indica retenção de líquidos e deve ser comunicado, porque muitas vezes se resolve com um simples ajuste do diurético, evitando um internamento.

Reduzir o sal, que é o que retém líquidos, com atenção ao sal escondido em pão, enchidos, queijos e caldos. Cumprir a restrição de líquidos, quando indicada. Caminhar todos os dias, dentro do que for tolerado. Vacinar-se contra a gripe e, quando recomendado, contra o pneumococo, porque uma infecção respiratória descompensa rapidamente um coração doente.

Sinais de agravamento

Falta de ar em repouso ou que obriga a dormir sentado, aumento rápido do inchaço, ganho de peso súbito, palpitações persistentes, confusão ou tonturas, e dor no peito. Nestes casos, contacte o médico no próprio dia ou, se for grave, ligue o 112.

Levar tudo à consulta

Registo de pesos, lista de medicamentos e anotação dos dias em que houve mais falta de ar dão ao médico uma informação que nenhum exame substitui, e permitem ajustes antes de haver descompensação.

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Convém dizer ainda que esta é uma doença crónica com que se vive muitos anos. Com tratamento ajustado, vigilância do peso e actividade física adequada, é possível manter uma vida activa, viajar e continuar as rotinas habituais.