Há uma vantagem da era digital que quase ninguém aproveita: com um cartão de leitor da biblioteca municipal, gratuito, é possível requisitar livros e audiolivros para ler no telemóvel, no tablet ou num leitor digital, sem sair de casa e sem gastar um cêntimo.
Como funciona
A Rede Nacional de Bibliotecas Públicas disponibiliza uma plataforma de empréstimo digital, a BiblioLED, acessível aos leitores inscritos nas bibliotecas aderentes. Escolhe-se o título, requisita-se por um período determinado, normalmente algumas semanas, e o ficheiro deixa de estar acessível no fim do prazo, sem multas nem devoluções.
O catálogo inclui ficção, não ficção e audiolivros, e tem crescido de forma assinalável nos últimos anos.
O primeiro passo é presencial
Para começar, é preciso ter cartão de leitor. Basta ir à biblioteca municipal com documento de identificação e comprovativo de morada. O cartão é gratuito na esmagadora maioria dos municípios e dá acesso ao empréstimo tradicional e ao digital.
Peça ajuda ao funcionário para instalar a aplicação e fazer o primeiro empréstimo. É o tipo de coisa que demora dez minutos com ajuda e uma tarde inteira sozinho.
Emprestar sem gastar dados
Uma dúvida frequente: isto gasta internet? A requisição em si consome muito pouco, e depois de descarregado o livro pode ser lido sem qualquer ligação, o que é útil para quem tem plafonds pequenos ou vive em zonas com má cobertura. O conselho é descarregar em casa, com Wi-Fi, e deixar dois ou três títulos sempre prontos no aparelho.
Revistas e jornais
Muitas bibliotecas disponibilizam também acesso digital a revistas e jornais nacionais e estrangeiros, em plataformas próprias. Para quem gosta de ler imprensa e não quer acumular papel em casa, é uma alternativa que poupa dinheiro e espaço.
Onde encontrar clássicos de graça
Além das bibliotecas, existem projectos que disponibilizam livremente obras cujos direitos de autor já caducaram, o que abrange grande parte dos clássicos da literatura portuguesa e universal. Eça de Queirós, Camilo, Almeida Garrett ou Júlio Dinis estão nessas colecções, e podem ser lidos legalmente sem qualquer custo.
E se preferir o papel?
Nada disto obriga a abandonar o livro impresso. As mesmas bibliotecas emprestam livros em papel, têm serviço de reserva online e, em muitos municípios, entregam livros ao domicílio a pessoas com mobilidade reduzida, mediante pedido. Há ainda bibliotecas com colecções em letra grande, pensadas precisamente para quem tem dificuldade em ler os formatos habituais.
Ler melhor no ecrã
Aumente o tamanho da letra sem hesitar, escolha um tipo de letra mais espaçado e experimente o fundo em tom creme, que cansa menos do que o branco puro. À noite, o modo escuro ou o filtro de luz azul ajudam a não perturbar o sono. E, se o peso do tablet incomoda as mãos, um suporte simples resolve.
Se a leitura já não é confortável mesmo com letra ampliada, experimente os audiolivros disponíveis na mesma plataforma: ouvem-se com os olhos fechados, enquanto se caminha ou se cozinha, e resolvem muitos dos problemas de vista cansada.
Para quem já não lê letras pequenas, esta é provavelmente a maior vantagem do digital: qualquer livro pode ficar, com dois toques, em letra grande.











