Quem procura um automóvel de marca chinesa em Portugal procura, na esmagadora maioria dos casos, um eléctrico. Segundo o estudo “The Great Acceleration: East Meets Electric” do Grupo OLX, que em Portugal opera o OLX, o Standvirtual e o Imovirtual, 70,6% da procura por marcas chinesas no Standvirtual em junho concentrou-se em veículos eléctricos.
Portugal à frente de quatro mercados
O valor português não tem paralelo nos restantes países analisados. Em França, os eléctricos representam 27% da procura por marcas chinesas; na Roménia, 24,8%; na Polónia, 13,5%; e na África do Sul apenas 0,3%. Entre os cinco mercados estudados pelo grupo, Portugal é onde a ligação entre marcas chinesas e mobilidade eléctrica é mais forte.
Procura por marcas chinesas cresce 74% num ano
O interesse pelos fabricantes chineses continua a subir: em junho, a procura no Standvirtual aumentou 74% face ao mesmo mês de 2025 e já representa 2% do total da plataforma. Entre as marcas mais procuradas destacam-se a MG, a BYD e a Xpeng, com a MG e a BYD a liderarem em quatro dos cinco mercados analisados.
Eléctricos já pesam 14,9% dos contactos
Portugal é também o país onde os veículos eléctricos em geral têm maior peso na procura: em junho representaram 14,9% dos contactos registados no Standvirtual, acima dos 9,4% de França. Em termos homólogos, a procura por eléctricos em Portugal cresceu 60%. França registou a maior subida entre os cinco mercados, com 206%, apesar de os preços terem aumentado 25% no mesmo período; seguem-se a África do Sul (154,6%), a Roménia (66%) e a Polónia (34,3%).
Preços acessíveis puxam pela transição
“Os dados revelam uma tendência clara: à medida que cresce a adopção dos veículos eléctricos, aumenta também a procura por marcas automóveis chinesas. Os fabricantes chineses estão a contribuir activamente para o crescimento deste mercado, disponibilizando veículos eléctricos a preços cada vez mais acessíveis”, comenta Christian Gisy, presidente executivo do Grupo OLX, para quem esta oferta “está a acelerar a transição para uma mobilidade mais sustentável”.
O que olhar antes de comprar
Para quem pondera trocar de carro, o movimento tem uma consequência prática: mais oferta e mais concorrência no segmento eléctrico, sobretudo na gama de preços onde as marcas chinesas têm apostado. Comparar autonomias, garantias de bateria e redes de assistência passa a ser tão importante como comparar o preço de tabela.
Há três perguntas que valem a pena antes de fechar negócio. Primeira: qual é a autonomia real no tipo de percurso que faz, e não apenas a anunciada no catálogo. Segunda: quantos anos e quantos quilómetros cobre a garantia da bateria, o componente mais caro do carro. Terceira: onde ficam a oficina da marca mais próxima e os postos de carregamento à volta de casa.
Para quem faz sobretudo trajectos curtos e tem onde carregar, o custo da energia por quilómetro costuma ser o argumento mais forte a favor da mudança. Já quem faz longas distâncias com frequência deve pesar a rede de carregamento rápido no caminho que percorre habitualmente. Com a procura a crescer a este ritmo, também o mercado de usados eléctricos começa finalmente a ganhar escala em Portugal.











