Nas semanas de calor intenso, a atenção vai toda para a água que se bebe e para as horas a que se sai de casa. Há uma terceira coisa a considerar, e o INFARMED tem vindo a alertar para ela: os medicamentos que se tomam, e onde se guardam.
Dois problemas diferentes
Convém separar duas questões que costumam aparecer misturadas.
A primeira é a conservação: o calor pode alterar as propriedades do medicamento e comprometer a sua segurança e eficácia.
A segunda é farmacológica: há medicamentos que, independentemente de estarem bem conservados, interferem com os mecanismos de regulação térmica do corpo, tornando a pessoa mais vulnerável ao calor.
Os medicamentos que interferem com a regulação térmica
O INFARMED identifica vários grupos: diuréticos, antidepressivos, anti-hipertensores e antipsicóticos.
São classes muito prescritas e tomadas de forma continuada, o que significa que muitas pessoas as estão a tomar sem qualquer ligação mental ao calor.
A recomendação nunca é interromper. É falar com o médico ou o farmacêutico se surgirem sinais de intolerância ao calor durante uma vaga de calor, e reforçar as medidas gerais de proteção.
Quem está mais exposto
A vulnerabilidade não é igual para todos. O INFARMED destaca os idosos, os doentes crónicos, as pessoas com obesidade, as crianças e as pessoas acamadas, por terem maior dificuldade em adaptar-se ao calor.
É a combinação que pesa: são também os grupos que tomam mais medicação continuada.
Onde guardar os medicamentos
Aqui a informação é mais tranquilizadora do que se costuma pensar.
Os medicamentos cuja indicação é conservar a temperatura inferior a 25 ou 30 graus podem ser guardados nos locais habituais. Há estudos que demonstraram não haver alteração das propriedades quando sujeitos a temperaturas elevadas por períodos curtos.
O problema é a exposição prolongada. É aí que as propriedades se podem alterar, e é por isso que alguns medicamentos exigem precauções particulares de armazenamento.
A regra que resolve a maioria das dúvidas
A indicação do INFARMED é a mais simples possível: guardar e transportar os medicamentos de acordo com o que diz o folheto informativo.
Cada medicamento tem a sua indicação de conservação escrita, e é ela que manda. Não há uma regra única para todos.
Os erros mais comuns no verão
Três merecem nota, porque são frequentes e evitáveis.
O porta-luvas do carro é o pior sítio possível. Um automóvel ao sol ultrapassa com facilidade os 50 graus no interior, e o porta-luvas não é exceção.
A casa de banho é o segundo, e é onde muita gente guarda o armário dos medicamentos. Combina calor com humidade, que é a pior combinação para comprimidos e para as embalagens.
A mala de viagem despachada, no caso de quem viaja de avião, é o terceiro. Além do risco de extravio, o porão tem condições de temperatura que não se controlam. A medicação viaja na bagagem de mão.
Uma nota final para quem tem medicação que exige frio, como algumas insulinas: nesses casos a cadeia de frio é obrigatória e existem estojos próprios para transporte. Vale a pena perguntar na farmácia antes de viajar.











