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Microplásticos já foram encontrados no cérebro, no sangue e até na placenta — o que a ciência sabe (e o que ainda assusta)

claudio.campos

Estão na água, no ar e dentro do corpo humano. A ciência confirma: ingerimos mais de 50.000 partículas de microplásticos por ano. Saiba o que isso significa para a saúde.

Não se veem, não se sentem, mas estão em todo o lado. No ar que se respira, na água que se bebe, nos alimentos que chegam ao prato. Os microplásticos deixaram de ser um problema ambiental distante — são, hoje, uma questão de saúde pública. E os números não deixam margem para dúvidas.

Segundo o PNUMA, cada pessoa consome, em média, mais de 50.000 partículas de microplásticos por ano. Estima-se ainda que se inalam cerca de 68.000 partículas por dia. São números difíceis de processar, mas a ciência tem vindo a confirmar aquilo que muitos suspeitavam: estas partículas já estão dentro de nós.

A dimensão do problema: dos oceanos ao corpo humano

Em 2020, 2,7 milhões de toneladas de microplásticos foram libertadas para o meio ambiente — e este valor deverá duplicar até 2040, alerta a ONU. Nos mares, existem 51 biliões de partículas microplásticas. É um número tão absurdo que o Parlamento Europeu o compara assim: 500 vezes mais do que as estrelas na nossa galáxia.

As fontes são diversas. A lavagem de roupas sintéticas é responsável por 35% dos microplásticos primários nos oceanos. O desgaste dos pneus representa 28%. Até os produtos de cuidados pessoais contribuem com 2%. E não ficam no mar. Circulam na atmosfera, caem com a chuva e podem ser transportados pelo vento durante centenas ou milhares de quilómetros antes de atingirem o solo.

Dentro do corpo: o que a ciência já encontrou

Microplásticos foram detetados no sangue, nos pulmões, no fígado, no cérebro, no leite materno e no cordão umbilical. Num estudo com placentas humanas, investigadores encontraram 12 fragmentos em 4 de 6 amostras — presentes tanto no lado fetal como no materno. Ou seja: a exposição começa antes do nascimento.

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Mais preocupante ainda: um estudo publicado no New England Journal of Medicine, com 257 pacientes, revelou que 58% tinham micro e nanoplásticos nas placas das artérias carótidas. Esses pacientes apresentaram um risco 4,5 vezes maior de morte, enfarte ou AVC ao longo de 34 meses de acompanhamento.

Os nanoplásticos — partículas ainda mais pequenas, inferiores a 1 micrómetro — são particularmente inquietantes. Segundo investigação liderada por Philip Demokritou, da Harvard Chan School, conseguem penetrar nas células humanas e alcançar os seus núcleos. Uma revisão publicada na Frontiers in Public Health associa a exposição a inflamação, stress oxidativo, distúrbios metabólicos, desequilíbrio da microbiota intestinal, infertilidade e até doenças como Parkinson e Alzheimer.

A água que se bebe também não escapa

Um estudo de 2024 detetou dezenas de milhares de partículas plásticas por litro em algumas marcas de água engarrafada — frequentemente em concentrações superiores às da água da torneira. As garrafas PET podem ainda libertar antimónio, ftalatos e análogos do bisfenol, substâncias que funcionam como desreguladores endócrinos.

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Em Portugal, investigadores identificaram até 9 partículas de microplástico por litro na água da torneira e mais de 4.800 em garrafas reutilizáveis. Os polímeros mais comuns são polietileno, polipropileno e PVC.

Há soluções à vista?

A União Europeia pretende reduzir em 30% a libertação de microplásticos até 2030. As restrições à adição intencional em produtos deverão evitar a emissão de cerca de 500.000 toneladas.

No campo da investigação, há sinais animadores. Investigadores brasileiros demonstraram que o extrato de sementes de moringa tem um desempenho semelhante ao sulfato de alumínio na remoção de microplásticos da água — e até superior em águas mais alcalinas. No Japão, o Riken Institute desenvolveu um material plástico que se decompõe na água do mar em poucas horas, sem formar microplásticos, embora ainda esteja em fase de validação.

O que se pode fazer já

Evitar garrafas de plástico e optar por água filtrada. Lavar roupa sintética com sacos de retenção de microfibras. Reduzir o uso de recipientes plásticos para aquecer alimentos. São gestos simples, mas que ajudam a reduzir a exposição diária. O problema é global, mas as escolhas do dia a dia fazem diferença — e quanto mais informação houver, melhores decisões se tomam.