As férias de verão são a pausa que muitos esperam durante todo o ano, mas podem ser também uma boa altura para arrumar a casa e a cabeça. A ideia é simples: sair de casa deixando para trás o excesso e regressar a um espaço mais leve, que acolhe em vez de sobrecarregar. Quem o defende é Cláudia Ganhão, especialista em Organização Pessoal Minimalista, que partilha um guia prático de tarefas para libertar espaço físico e mental antes de fazer as malas.
Segundo a especialista, destralhar a casa antes de partir não é uma questão de estética nem de deixar tudo impecavelmente arrumado. É um gesto de intenção. Ao simplificarmos o que nos rodeia, diz, fazemos também uma escolha consciente sobre aquilo que queremos reencontrar no regresso, começando uma nova rotina com maior clareza sobre o que merece, ou não, voltar a fazer parte dela.
Quarto: roupa e acessórios
O guarda-roupa é, muitas vezes, o primeiro sítio onde o excesso se acumula. A sugestão é retirar de cena tudo aquilo que já não usa, sem ceder ao clássico argumento de que um dia ainda vai servir. Entre os candidatos a sair estão:
- Roupa que não veste há mais de um ano;
- Pares de sapatos a mais que nunca calça e só ocupam espaço;
- Roupa de praia e de verão de anos anteriores, desbotada ou que já não serve;
- Acessórios duplicados, como cintos, lenços e bijuteria, guardando apenas os favoritos;
- Peças reservadas para quando perder peso ou para uma ocasião que nunca chega.
O efeito faz-se sentir logo de manhã. Com menos roupa, abrir o armário deixa de ser uma decisão cansativa: é menos tempo a escolher e menos energia gasta em algo que devia ser automático. Espaço físico que se transforma em espaço mental.
Casa de banho: higiene e cosmética
É o primeiro espaço do dia e, por isso, o que mais beneficia de clareza. A especialista aconselha a eliminar:
- Produtos expirados, do protetor solar do ano passado a cremes e maquilhagem;
- Amostras acumuladas que nunca chegam a ser usadas;
- Frascos quase vazios e abertos há mais de seis a doze meses, guardados só para não desperdiçar;
- Compras por impulso que nunca convenceram;
- Toalhas e acessórios duplicados ou degradados.
Começar a manhã sem ter de procurar entre vários frascos cria, garante, uma sensação imediata de clareza. E há um ganho concreto: elimina o risco real de usar produtos fora de validade.
Cozinha: alimentos e utensílios
Na cozinha, o excesso esconde-se nas prateleiras e nas gavetas. Vale a pena deitar fora ou dispensar:
- Alimentos fora de prazo, das especiarias antigas às conservas esquecidas no armário;
- Gadgets nunca usados, como a máquina de fazer algo que foi moda há dois anos;
- Tupperwares sem tampa, ou tampas sem caixa;
- Sacos de plástico e embalagens guardados para reaproveitar, mas que nunca se reaproveitam.
Uma cozinha com menos coisas, sublinha, é uma cozinha onde apetece mais preparar as refeições. Abrir um armário e ver espaço, em vez de empilhamento, reduz o esforço de fazer até uma refeição simples.
Sala: decoração e papéis
Como espaço de chegada e de descanso, a sala é das divisões que mais ganha em ser aliviada. Entre os objetos a rever estão:
- Peças de decoração que já não representam quem é hoje;
- Revistas e jornais antigos, guardados para ler depois;
- Recordações de viagens que já não dizem nada;
- Cabos, comandos e outros eletrónicos sem função identificada;
- Presentes que nunca lhe agradaram, mas que guardou por culpa.
Quando a sala está cheia de objetos sem significado atual, o olhar não descansa. Destralhá-la, diz Cláudia Ganhão, devolve-lhe a função de espaço de presença, e não de armazém visual.
Garagem e arrecadação: os objetos para um dia
É aqui que mais facilmente se adiam decisões. E é também o que mais pesa psicologicamente, porque sabemos que está ali, mesmo sem lá olhar todos os dias. A lista de candidatos a sair inclui:
- Ferramentas ou equipamentos partidos que um dia se vai arranjar;
- Caixas nunca abertas desde a última mudança de casa;
- Material de desporto ou hobbies abandonados há anos;
- Decorações sazonais antigas, danificadas ou a mais, como boias furadas.
Libertar este espaço, defende a especialista, é libertar uma das maiores fontes de procrastinação dentro de casa.
Escolher como um superpoder
Em todas estas divisões, lembra Cláudia Ganhão, destralhar não começa pelo objeto, começa pela decisão. É por isso que descreve o ato de escolher como um superpoder: cada coisa que sai de casa é uma escolha que já não vai ter de fazer todos os dias quando voltar.
Quem é Cláudia Ganhão
Licenciada em Química, Cláudia Ganhão trabalhou cerca de 15 anos na indústria farmacêutica antes de mudar de vida. Em setembro de 2018, aos 41 anos, depois de um burnout e de várias reflexões sobre o modo automático em que vivia, o cansaço extremo e a falta de tempo para si e para a família, despediu-se e apostou na mudança, tornando-se empreendedora.
Pioneira do movimento de minimalismo em Portugal, publicou em 2021 o livro O teu Minimalismo, que se tornou referência para muitas mulheres, e criou a Academia A.M.E. (Academia de Mulheres em Evolução), onde disponibiliza mentoria individual, cursos, workshops e formações. Diz já ter ajudado a transformar a vida de mais de 4000 mulheres.











