O que vestimos pode afetar a nossa saúde? A resposta é afirmativa

Tem dúvidas? Então leia aqui as explicações.

Seguir tendências é ter no armário pelo menos um par de skinny jeans e uns saltos altos para ocasiões especiais. Essas podem ser boas soluções para um look moderno, mas não para o bem-estar. Escolher entre umas legging ou umas calças largas, ou entre uma lingerie de renda ou de algodão pode ser suficiente para ditar as normas da sua saúde, escreve o site lusiadas.pt

Calças justas, saltos altos, mala a tiracolo e tudo se compõe para um look de quem segue as últimas tendências. No entanto, estar na moda tem o seu preço e, neste caso, nem falamos de economia. Também a saúde pode ficar a perder com a vontade de seguir aquilo que é ditado pelas tendências. Problemas de circulação, irritações cutâneas, má postura ou infeções ginecológicas são algumas das possíveis consequências do uso de algumas peças de roupa ou calçado. E falamos aqui de coisas tão comuns como skinny jeans, leggings, saltos altos ou fatos de banho. E exatamente por se tratarem de peças do dia a dia, não são raras as vezes em que os médicos têm de lidar com questões sobre o tema.

Calças
“Usar calças muito apertadas faz mal à circulação?” O cirurgião vascular José Pereira Albino, coordenador da Unidade de Cirurgia Vascular do Hospital Lusíadas Lisboa, dá esta pergunta como exemplo das muitas que são colocadas pelas doentes. A resposta, essa, é afirmativa. “Efetivamente, as calças muito justas às pernas trazem sérios problemas para a circulação”, explica. “Ao fim de algumas horas de utilização acabam por criar rugas ou vincos, levando a um compromisso do retorno venoso.” Na prática funcionam como garrotes, sobretudo a nível do joelho e na parte superior da perna. Para quem já tem problemas de circulação, o cuidado deve ser redobrado. “O uso deste tipo de calças por pessoas com varizes pode causar dores nas pernas e inchaço dos pés”, explica o especialista. No caso de pessoas com pernas magras mas com varizes de uma dimensão significativa, permanecer na mesma posição – em viagens, por exemplo – com este tipo de calças vestidas pode desencadear uma flebite superficial, ou seja, inflamação das varizes já existentes. “É um processo grave que necessita de tratamento médico”, lembra o cirurgião. No entanto, garante que estas situações ocorrem apenas quando este tipo de vestuário é usado com frequência e não esporadicamente.

Saltos altos e malas
Se da roupa que pode prejudicar a saúde passarmos para o calçado, o termo “salto alto” surge quase como resposta automática. No entanto, a questão não é assim tão linear. Para José Pereira Albino, em termos estritamente circulatórios, o principal problema não é o uso de saltos altos mas a intermitência do seu uso. “A dinâmica do pé pode ser alterada com o facto de uns dias usar saltos e noutros usar sapatos de tacão mais liso. É esta alternância que leva à diminuição do retorno venoso e que interfere com uma doença venosa já existente”, explica. Assim, o cirurgião aconselha o uso constante do mesmo tipo de salto, de preferência aquele que dê mais estabilidade ao andar. Mas além do que vestimos e calçamos, também aquilo que carregamos e a forma como o fazemos pode ditar uma boa ou má circulação venosa. O organismo possui vários mecanismos complexos para manter a circulação venosa que, para conseguir o retorno ao coração, tem de vencer a força da gravidade. “Transportar pesos leva a que estes mecanismos sejam afetados e o retorno não se faça corretamente”, lembra o cirurgião. A conjugação de todos estes erros na forma de vestir, calçar e carregar peso aumentam a pressão venosa nas pernas, o que origina um agravamento das varizes existentes ou o aparecimento, em doentes com tendência para tal, de novas varizes. E para quem a palavra “varizes” ainda não faz parte do boletim clínico, damos uma nova, e que costuma ser mágica: “celulite”. “Pensa-se que a celulite, que cada vez mais aparece em idades jovens, tem relação com problemas locais de circulação”, lembra o médico, que recorre novamente ao exemplo das calças justas, cujos vincos e pregas “comprometem a circulação a nível da coxa e dos glúteos”.

Leggings, collants e fatos de banho
Além de problemas ortopédicos e de circulação, a roupa que escolhemos para o dia a dia tem influência também na saúde ginecológica. Uma higiene íntima saudável pede uma escolha acertada de materiais e um cuidado especial no uso repetido da mesma peça de roupa. Por exemplo, o uso contínuo de leggings, collants e calças justas deve ser evitado devido ao traumatismo e irritabilidade que provocam na região vulvar. Como alternativa, Pedro Colaço, ginecologista do Hospital Lusíadas Albufeira, aconselha as meias até ao joelho ou meio da coxa, as calças largas, os vestidos ou as saias. Também os homens devem preferir peças de roupa mais largas, não só pelo conforto mas principalmente porque o uso de roupa interior e calças muito justas está associado a uma diminuição dos níveis de fertilidade. Para que o processo de formação de espermatozoides aconteça normalmente, a temperatura da zona genital deve estar ligeiramente abaixo da corporal. Se receber muito calor, a produção é comprometida. E é importante lembrar que os cuidados com a higiene íntima não podem ser descurados com as férias. Isto porque, segundo os especialistas, permanecer muito tempo com o fato de banho vestido pode causar infeções ginecológicas. Neste caso, a humidade e o calor são dois fatores que facilitam a proliferação de fungos e bactérias que provocam as infeções comuns, como a candidíase nas mulheres ou a dermatite seborreica nos homens. No que diz respeito à roupa interior, aí não há dúvidas: o algodão vence sempre o sintético.


Artigos relacionados
Comentários
Loading...