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Opinião: «Correr depois dos 40 anos – a idade não é uma limitação», Ricardo Vidal, fisioterapeuta

Opinião: «Correr depois dos 40 anos – a idade não é uma limitação», Ricardo Vidal, fisioterapeuta
Ricardo Vidal, fisioterapeuta, coordenador da Fisioterapia na Clínica Espregueira

Artigo de opinião de Ricardo Vidal, fisioterapeuta, coordenador da Fisioterapia na Clínica Espregueira

Ricardo Vidal
Ricardo Vidalfisioterapeuta, coordenador da Fisioterapia na Clínica Espregueira18 Junho 2025

A corrida pode ser vista de várias formas, dependendo da perspetiva e do contexto de cada indivíduo. Se, por um lado, é verdade que a corrida ganhou grande visibilidade nos últimos anos, em parte devido às redes sociais, onde muitos partilham os seus treinos, resultados e participações em provas — o que, para muitos, pode ser considerado uma moda —, por outro lado, são os benefícios para a saúde e o bem-estar que estão por detrás da consistência que a torna um estilo de vida. Podemos também assumir que as redes sociais poderão ter este efeito motivacional e impulsionador na adoção de um estilo de vida mais saudável, onde se inclui a atividade física, como é o caso da corrida.

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A atividade física em geral, e a corrida em particular, geram imensos benefícios físicos, emocionais e psicossociais que aumentam a qualidade de vida da população. A ciência é clara ao demonstrar melhorias na saúde cardiovascular e no sistema imunitário em praticantes de corrida adequada no seu volume e consistência. O fortalecimento muscular e ósseo, o controlo de peso e o aumento da resistência física são benefícios evidentes do ponto de vista músculo-esquelético que, quando associados a hábitos alimentares equilibrados, aumentam a qualidade de vida e a perceção de bem-estar.

A corrida, por uma via endócrina e hormonal, reduz fenómenos de stress e ansiedade devido ao aumento da produção de endorfinas, conhecidas como ‘as hormonas da felicidade’, combatendo os níveis de cortisol (hormona do stress) e induzindo uma sensação de relaxamento e calma. Existem também benefícios na qualidade do sono, fator importante na recuperação física e mental.

A ideia de que ‘não tem corpo para correr’ ou que ‘isso é só para jovens’ é muitas vezes fruto de pressões sociais, inseguranças pessoais e falta de aconselhamento por parte de profissionais de saúde e das ciências do desporto. A verdade é que muitas pessoas adultas que começam a correr relatam melhorias significativas na autoestima, no humor e no convívio social, sentindo-se mais confiantes do que nunca. Há cada vez mais exemplos de corredores que começaram depois dos 40 ou 50 anos e participaram até em maratonas, mostrando que a idade não é uma limitação. O que a idade pode aportar são mais riscos para a saúde no ponto de partida para a atividade física. Daí ser justo dizer que alguém que inicie mais tarde deverá solicitar ajuda para uma avaliação médica inicial e a implementação de um plano de treino ajustado a cada indivíduo.

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A motivação para iniciar a corrida depois dos 40, na minha opinião, é fundamental, pois é ela que trará consistência. É a consistência e a execução regular e duradoura que aportam todos os benefícios referidos anteriormente. Considero justo que alguém que não tira prazer ou satisfação pessoal da corrida não deva fazê-lo apenas ‘porque o médico recomendou’. Daí ser fundamental que cada pessoa encontre o seu ‘sweet spot’ no mundo da atividade física.

Comparativamente ao início mais precoce da corrida, a maturidade de um adulto pode trazer vantagens como maior consciência corporal e mental, objetivos mais sustentáveis, perceção de maior impacto na saúde e uma maior capacidade de adesão à corrida. Resumidamente, uma visão sobre a corrida com maior ênfase na saúde e menos na vertente competitiva.

Os contras existem, como em qualquer outra atividade física, contudo, são perfeitamente modificáveis com a devida gestão dos fatores de risco. As consequências estarão sempre relacionadas com esses mesmos fatores, que, quando previamente identificados, podem ser controlados. Um exemplo prático é o que pode acontecer com a sobrecarga de treino (overtraining): um indivíduo que nunca correu e, no primeiro contacto com a corrida, realiza cinco quilómetros, tem maior probabilidade de desenvolver uma lesão articular do joelho. No entanto, o fator causal não foi a corrida isoladamente, mas sim a sua prática numa ‘dose’ desajustada ao indivíduo.

Uma pessoa com 40 anos deverá ter sempre uma preocupação extra com a sua saúde cardiovascular em particular e a saúde músculo-esquelética no geral. Considero fundamental adotar as seguintes recomendações para reduzir o risco de complicações associadas à corrida:

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• Avaliação médica e, se possível, com um fisiologista do exercício

• Treino progressive

• Fortalecimento muscular

• Mobilidade articular

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• Descanso e qualidade do sono

• Hidratação e alimentação adequadas.

A frequência, o volume e a intensidade da corrida não devem ser iguais para todos os indivíduos nesta faixa etária. O plano semanal deverá ser ajustado segundo o princípio da individualização. De forma generalizada, deverá ser sempre progressivo, tendo também em conta o índice de massa corporal. Um plano semanal pode iniciar-se com uma frequência de 2 a 3 vezes por semana em dias intercalados, com períodos alternados de corrida ligeira (1 minuto) e caminhada (2 minutos), num volume total de 20 a 30 minutos durante as primeiras duas semanas. Nas semanas seguintes, deverá progredir se as sensações forem boas. Quanto ao equipamento, o uso de calçado adequado e de um relógio com monitor de ritmo cardíaco parece ser o mais importante, sendo ambos facilmente adquiridos com ajuda profissional e de baixo custo, comparativamente a outros desportos.