Há hotéis que guardam histórias e outros que as escrevem. O Grande Hotel Paris, no Porto, sempre fez as duas coisas: pelas suas salas passaram Eça de Queiroz, Camilo Castelo Branco e Guerra Junqueiro, e essa memória literária continua colada à identidade da casa, feita de salas com história e de um jardim escondido no coração da Baixa portuense. Em Setembro, a herança ganha vida nova: o hotel abre as portas a três clubes de leitura, com inscrições abertas ao público, que juntam leitores em torno dos livros, da conversa e da partilha.
Um hotel com memória literária
A iniciativa liga-se ao «Echoes of Writers», a experiência imersiva do hotel que recupera histórias, autores e episódios da vida literária da cidade. Se esse circuito revisita as vozes que marcaram o passado do espaço, os clubes de leitura acrescentam-lhe conversas do presente, criando uma ponte entre o património e as comunidades que continuam a encontrar na literatura um lugar de descoberta e encontro.
Três clubes, três maneiras de ler
Cada encontro tem personalidade própria. O primeiro acontece já este domingo, dia 13, às 10h15, no jardim do hotel, com o The Book Was Better Bookclub, o clube para quem acha que o livro é quase sempre melhor do que o filme. Segue-se, a 19 de Setembro, às 10h30, na Sala Dupuy, o Silent Book Club Porto, onde cada um leva o seu livro e lê em silêncio, na companhia de outros leitores. A 27, às 16h00, na sala de pequenos-almoços, reúne-se o Porto Queer Book club. As inscrições estão abertas ao público e cada clube tem a sua forma de inscrição, divulgada nas respectivas páginas nas redes sociais e na comunicação do hotel.
Porque vale a pena aparecer
Um programa que não pede experiência
Não é preciso ser leitor de longa data nem conhecer os outros participantes: estes encontros vivem precisamente de juntar desconhecidos à volta de uma mesa, com os livros a servir de quebra-gelo. Quem preferir começar devagar pode estrear-se no clube silencioso, onde basta levar o livro que está a ler. E quem gosta de debater tem nos outros dois formatos conversa garantida.
Os clubes de leitura são das melhores portas de entrada para quem quer alargar o círculo de convívio sem sair da sua zona de interesse. Lê-se, fala-se, discorda-se com educação e, no meio disso, fazem-se amizades que continuam para lá dos livros. Para quem tem mais tempo livre, na reforma ou perto dela, são um compromisso leve e regular que enche a semana de outra maneira. E o formato silencioso tem um encanto particular: é a companhia sem a obrigação da conversa, ideal para quem gosta de ler acompanhado mas não dispensa o seu sossego.
Fazê-lo entre as paredes onde Eça e Camilo tomaram café acrescenta um sabor especial. Entre os escritores que fazem parte da memória do hotel e os leitores que agora se sentam nas suas salas, o Grande Hotel Paris continua a escrever a sua relação com a literatura. Em Setembro, as páginas novas são de quem aparecer.











