É a doença que não dói até partir alguma coisa. A osteoporose enfraquece o osso ao longo de anos sem dar sinal, e a primeira manifestação é, com frequência, uma fratura provocada por uma queda que não deveria ter partido nada.
Quantos são
Investigação portuguesa aponta para uma prevalência de 15% da população, valor superior ao estimado em trabalhos anteriores, que apontavam para 10%.
A distribuição por sexo é muito desigual: 17% na população feminina contra 2,6% na masculina. A explicação está na perda acelerada de massa óssea que acompanha a queda de estrogénio na menopausa.
O peso das fraturas
As estimativas do número de fraturas osteoporóticas por ano em Portugal variam consoante a fonte e a metodologia, entre as várias dezenas de milhares. Qualquer delas descreve um problema de saúde pública de grande escala.
A fratura da anca é a mais grave pelas consequências que traz, da perda de autonomia à mortalidade associada no ano seguinte. Mas as mais comuns são as do punho e as vertebrais, e estas últimas passam frequentemente despercebidas, manifestando-se apenas como perda de altura e curvatura da coluna ao longo dos anos.
A recomendação que existe e não se cumpre
As normas da Direção-Geral da Saúde recomendam que a densitometria óssea seja feita a todas as mulheres aos 65 anos.
É uma recomendação simples de enunciar e de executar. O exame é rápido, indolor e usa uma dose de radiação muito baixa. Ainda assim, é frequente chegar aos 70 sem alguma vez o ter feito.
O exame não decide sozinho
Um ponto que os especialistas sublinham: a densitometria é fundamental para o rastreio e o diagnóstico, mas não deve ser lida isoladamente. Mesmo com valores normais, mais de 25% das pessoas têm história de fratura de fragilidade.
Por isso existe uma segunda ferramenta, o FRAX, uma calculadora de utilização gratuita que estima o risco de fratura nos dez anos seguintes combinando idade, sexo, peso, altura, história de fratura anterior, tabagismo, uso de corticoides, artrite reumatoide e consumo de álcool.
Existe uma versão calibrada para Portugal, e as recomendações nacionais para o tratamento da osteoporose tomam o FRAX Portugal como pilar central da decisão de tratar.
O que se pode fazer sem receita
Há três frentes com evidência consistente e que não dependem de nenhuma prescrição.
A primeira é o treino de força e o exercício com impacto, que estimula a formação óssea. Caminhar é bom para muitas coisas, mas é fraco estímulo ósseo comparado com trabalho de resistência.
A segunda é a prevenção de quedas, que é onde se ganha mais depressa: tapetes soltos, iluminação de corredores, calçado adequado, revisão da medicação que provoca tonturas e correção da visão.
A terceira é a alimentação, com atenção ao cálcio e à proteína, que costuma ficar abaixo do recomendado precisamente nas idades em que mais faz falta.
E nos homens?
A prevalência muito mais baixa nos homens cria um efeito perverso: a osteoporose masculina é sub-diagnosticada porque nem os próprios nem, por vezes, quem os acompanha pensam nela. Não existindo uma recomendação de rastreio universal por idade equivalente à das mulheres, o caminho passa por sinalizar os fatores de risco, entre os quais o uso prolongado de corticoides, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e uma fratura anterior por queda de baixa energia.











