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Osteoporose: o exame que se recomenda a todas as mulheres aos 65

Mulher a fazer um exame de densitometria óssea numa clínica
Maria Isadora Ribeiro

Atinge 17% das mulheres e apenas 2,6% dos homens, e só se manifesta quando já há fratura. Existe uma recomendação nacional que muita gente desconhece.

É a doença que não dói até partir alguma coisa. A osteoporose enfraquece o osso ao longo de anos sem dar sinal, e a primeira manifestação é, com frequência, uma fratura provocada por uma queda que não deveria ter partido nada.

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Quantos são

Investigação portuguesa aponta para uma prevalência de 15% da população, valor superior ao estimado em trabalhos anteriores, que apontavam para 10%.

A distribuição por sexo é muito desigual: 17% na população feminina contra 2,6% na masculina. A explicação está na perda acelerada de massa óssea que acompanha a queda de estrogénio na menopausa.

O peso das fraturas

As estimativas do número de fraturas osteoporóticas por ano em Portugal variam consoante a fonte e a metodologia, entre as várias dezenas de milhares. Qualquer delas descreve um problema de saúde pública de grande escala.

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A fratura da anca é a mais grave pelas consequências que traz, da perda de autonomia à mortalidade associada no ano seguinte. Mas as mais comuns são as do punho e as vertebrais, e estas últimas passam frequentemente despercebidas, manifestando-se apenas como perda de altura e curvatura da coluna ao longo dos anos.

A recomendação que existe e não se cumpre

As normas da Direção-Geral da Saúde recomendam que a densitometria óssea seja feita a todas as mulheres aos 65 anos.

É uma recomendação simples de enunciar e de executar. O exame é rápido, indolor e usa uma dose de radiação muito baixa. Ainda assim, é frequente chegar aos 70 sem alguma vez o ter feito.

O exame não decide sozinho

Um ponto que os especialistas sublinham: a densitometria é fundamental para o rastreio e o diagnóstico, mas não deve ser lida isoladamente. Mesmo com valores normais, mais de 25% das pessoas têm história de fratura de fragilidade.

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Por isso existe uma segunda ferramenta, o FRAX, uma calculadora de utilização gratuita que estima o risco de fratura nos dez anos seguintes combinando idade, sexo, peso, altura, história de fratura anterior, tabagismo, uso de corticoides, artrite reumatoide e consumo de álcool.

Existe uma versão calibrada para Portugal, e as recomendações nacionais para o tratamento da osteoporose tomam o FRAX Portugal como pilar central da decisão de tratar.

O que se pode fazer sem receita

Há três frentes com evidência consistente e que não dependem de nenhuma prescrição.

A primeira é o treino de força e o exercício com impacto, que estimula a formação óssea. Caminhar é bom para muitas coisas, mas é fraco estímulo ósseo comparado com trabalho de resistência.

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A segunda é a prevenção de quedas, que é onde se ganha mais depressa: tapetes soltos, iluminação de corredores, calçado adequado, revisão da medicação que provoca tonturas e correção da visão.

A terceira é a alimentação, com atenção ao cálcio e à proteína, que costuma ficar abaixo do recomendado precisamente nas idades em que mais faz falta.

E nos homens?

A prevalência muito mais baixa nos homens cria um efeito perverso: a osteoporose masculina é sub-diagnosticada porque nem os próprios nem, por vezes, quem os acompanha pensam nela. Não existindo uma recomendação de rastreio universal por idade equivalente à das mulheres, o caminho passa por sinalizar os fatores de risco, entre os quais o uso prolongado de corticoides, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e uma fratura anterior por queda de baixa energia.