Estudos sugerem que pão integral contribui para aumento da longevidade

O pão integral feito a partir do grão integral do cereal, contudo, pode não ser aquele que vemos à venda, segundo uma reportagem do El País.

Os alimentos integrais (arroz, massa e pão) são facilmente conotados com dietas de emagrecimento, mas os seus benefícios, de acordo com os resultados de duas investigações científicas, podem mesmo ajudar no aumento da longevidade. Nomeadamente, podem desempenhar um papel relevante na diminuição do risco de morte prematura, em casos de doenças cardiovasculares.

As duas meta-análises, uma publicada no britânico British Medical Journal e a outra foi publicada no americano Circulation, concluíram que o consumo de pão integral reduz o risco de sofrer de doenças cardiovasculares, respiratórias ou infeciosas, diabetes e até cancro de cólon. Se a primeira meta-análise observou uma redução de 17 por cento, a do estudo publicado no jornal médico americano é apenas inferior num ponto percentual.

Neste último estudo, a percentagem sobe para os 18 por cento quando se foca apenas nos riscos cardiovasculares. Além de os investigadores do Estado de Massachusetts especificarem que cada 16 gramas desses alimentos acrescentados à nossa dieta diária, podem diminuir as hipóteses de morte prematura por qualquer uma dessas causas em 7 por cento.

No entanto, podem estar a vender-nos “gato por lebre”

Na reportagem do jornal espanhol El País, o Presidente da Fundação Espanhola de Nutricionistas-Dietistas (FEDN), Giuseppe Russolillo, deixa a advertência, pois «embora nutricionalmente, grãos integrais e produto integral tenham que ser o mesmo», a verdade é que isso pode não ser necessariamente verdade, pois os «alimentos integrais devem ser feitos com grãos inteiros, mas em alguns produtos integrais mói-se o trigo e utiliza-se 25 por cento de farelo e 75 por cento de farinha refinada», explica.

Russolillo diz ainda que «esta mistura é legal, mas nutricionalmente não tem os mesmos benefícios que têm os produtos integrais genuínos», ou seja, os alimentos feitos com grãos integrais, pois «nessa pequena parte do germe que não é salva, é onde estão os fitoquímicos e outros produtos bioquímicos que nos são benéficos», esclarece.

De acordo com uma pós-graduada em Tecnologia de Endocrinologia e Nutrição do Hospital Universitário Ramón y Cajal, em Madrid, Maria Garriga, «não importa quão bem estudados sejam os benefícios do grão integral», por se tornar desnecessário ingerir todos os alimentos integrais, desde que se «mantenha uma dieta variada com frutas, verduras e legumes, que nos forneçam fibra diária suficiente», lembra a especialista.

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