Ao fim do dia, as pernas parecem de chumbo. Os tornozelos incham, os sapatos apertam e, com os anos, vão aparecendo pequenas veias à vista ou varizes. Muita gente encara estes sinais como uma consequência inevitável da idade ou como uma simples questão estética. Mas podem ser sintomas de doença venosa crónica, uma condição frequente e progressiva que, se não for acompanhada, pode afectar seriamente a qualidade de vida.
Para combater essa desvalorização, acaba de ser lançada a campanha nacional «Dê Mais Saúde às suas Pernas», que pretende aumentar a literacia em saúde venosa em Portugal, com informação validada sobre os sintomas, os factores de risco e as formas de tratamento.
Uma doença mais comum do que se pensa
«A doença venosa crónica tem uma expressão significativa em Portugal, estimando-se que cerca de um terço da população apresente sintomas compatíveis com esta doença», explica João Oliveira, especialista em Cirurgia Vascular, director do serviço de Cirurgia Vascular da Unidade Local de Saúde de Braga e coordenador da campanha. Entre as mulheres com mais de 30 anos, as alterações da circulação venosa são particularmente frequentes.
O problema, sublinha o médico, é que «os sintomas são muitas vezes desvalorizados e encarados apenas como uma questão estética ou uma consequência natural do envelhecimento». Reconhecer a doença cedo é essencial para que seja acompanhada e para evitar que progrida.
Os sinais a que deve estar atento
Os sintomas mais típicos são a sensação de pernas pesadas ou cansadas, sobretudo ao fim do dia ou depois de muito tempo de pé, o inchaço dos tornozelos e das pernas e o aparecimento de varizes. Há quem sinta também formigueiros, cãibras nocturnas ou comichão. Alterações na cor ou na textura da pele das pernas, feridas que demoram a sarar e o inchaço súbito de apenas uma perna são sinais que justificam uma ida ao médico sem demoras.
Quem está em maior risco
Entre os principais factores de risco estão a idade, o sexo feminino, o excesso de peso e o sedentarismo. Contam também as situações que aumentam a pressão nas veias, como a gravidez, a utilização de contracepção hormonal e a permanência prolongada de pé ou sentado, algo comum em muitas profissões que os leitores exerceram durante décadas.
O que pode fazer no dia-a-dia
Algumas medidas simples ajudam a proteger a circulação. Praticar actividade física com regularidade, sendo a caminhada uma das melhores aliadas das veias, porque os músculos da barriga da perna funcionam como uma bomba que empurra o sangue de volta ao coração. Evitar ficar muitas horas na mesma posição e, em viagens longas, levantar-se e mexer os pés com frequência. Elevar as pernas quando houver inchaço, por exemplo deitado com uma almofada debaixo dos pés. E evitar a exposição prolongada ao calor, que agrava o desconforto.
O tratamento deve ser sempre orientado pelo médico, que pode recomendar medicação, meias de compressão ou, nalguns casos, procedimentos específicos. O primeiro passo, porém, é o mais simples de todos: deixar de achar que pernas pesadas são normais e falar delas na próxima consulta.











