São catorze álbuns de originais em quarenta e oito anos, do primeiro em 1975 ao último em 2023. Para quem conhece meia dúzia de canções da rádio e quer agora ouvir a obra a sério, é muito por onde começar.
Este é um roteiro possível, por períodos, com indicação de onde entrar conforme o que se procura.
1975 a 1979: os anos de estrada
Antes de gravar em nome próprio houve bandas, o Sindicato e os Black Boys, e sobretudo houve Europa: temporadas a tocar em bares, cafés e ruas, de Paris a Copenhaga, de Genebra a Londres.
Essa vida está literalmente dentro da discografia. Várias gravações do período trazem entre parênteses a cidade e o ano em que foram feitas, como se fossem postais.
Com Uma Viagem na Palma da Mão sai em 1975, seguido de Té Já, em 1977, e Qualquer Coisa Pá Música, em 1979.
É o Palma menos conhecido e o mais cru. Quem procura o autor antes de ele ser figura pública, começa aqui.
Os anos oitenta: quando o país o descobriu
A década começa com Acto Contínuo, de 1982, e Asas e Penas, de 1984, onde já está Estrela do Mar.
Em 1985 chega O Lado Errado da Noite, o disco que muda tudo. Traz Deixa-me Rir, Nunca É Tarde para Ter uma Infância Feliz e Jeremias, o Fora-da-Lei, e foi a partir dele que Jorge Palma deixou de ser um músico admirado por alguns para passar a ser conhecido por toda a gente.
Segue-se Quarto Minguante, em 1986, e depois o outro grande momento: Bairro do Amor, de 1989, com Frágil, Dá-me Lume e a canção que dá nome ao disco.
Se tivesse de escolher um período só, seria este. Dois discos, quatro anos de intervalo, e metade do que o país sabe de cor.
O silêncio dos anos noventa
Depois de Só, em 1991, passam dez anos sem um álbum de originais. Dez anos.
Foi a década mais difícil da vida dele, vivida à vista de toda a gente, com concertos falhados e períodos de que nunca fez segredo. Pelo meio saíram colectâneas, que mantiveram as canções a circular enquanto o autor não voltava.
É uma ausência que explica muito do que vem a seguir, e é por isso que vale a pena saber dela antes de ouvir os discos do regresso.
2001 a 2023: o regresso longo
Em 2001 sai Jorge Palma, o disco homónimo, que lhe valeu o Prémio José Afonso no ano seguinte. Dele vem Dormia Tão Sossegada.
Três anos depois chega Norte, com Valsa de um Homem Carente, e em 2007 Voo Nocturno, onde está Encosta-te a Mim.
Com Todo o Respeito, de 2011, trouxe Página em Branco e valeu-lhe a primeira edição do Prémio Pedro Osório, da Sociedade Portuguesa de Autores.
E depois houve outro intervalo longo, até Vida, em 2023, o último disco. Ouvido agora, tem um título que ninguém escolheu para isto.
Ao vivo, que é onde ele acontecia
Há dois registos ao vivo a considerar, e para muita gente são a melhor porta de entrada: No Tempo dos Assassinos, de 2002, e Voo Nocturno ao Vivo, de 2008.
Quem o viu em palco num bom dia sabe porquê. As versões esticavam-se, o piano ia para sítios onde o disco não ia, e a mesma canção nunca era duas vezes a mesma.
Por onde começar, conforme o que procura
- quer reconhecer o que já conhece: Bairro do Amor, de 1989;
- quer perceber o momento em que o país o adoptou: O Lado Errado da Noite, de 1985;
- quer o autor cru, antes da fama: Com Uma Viagem na Palma da Mão, de 1975;
- quer ouvi-lo como ele era em palco: No Tempo dos Assassinos, de 2002;
- quer o Palma maduro, já sem nada a provar: Norte, de 2004;
- quer a despedida sem saber que era uma: Vida, de 2023.
Onde ouvir
Está praticamente tudo nas plataformas de música, incluindo os discos dos anos setenta, que durante muito tempo foram difíceis de encontrar.
Quem preferir o objecto vai encontrá-lo nas lojas de discos e nas feiras, e vale a pena procurar as edições originais em vinil dos anos oitenta, que ainda aparecem a preços razoáveis.
E há as bibliotecas municipais, várias das quais emprestam discos com o cartão de leitor, o que resolve a questão para quem quiser ouvir tudo sem comprar nada.











