A mudança está a acontecer mais depressa do que muitos anteciparam. Portugal é já o segundo mercado mais eletrificado da Europa, apenas atrás da Noruega, e o primeiro semestre de 2026 confirmou essa tendência com números inéditos: a procura por veículos 100% elétricos (BEV) subiu +68,7% face ao mesmo período de 2025, o valor mais alto de sempre. Os dados constam da análise semestral do Standvirtual, portal líder do mercado automóvel nacional, divulgada a 27 de julho.
Nos primeiros seis meses do ano, os automóveis totalmente elétricos representaram 17,3% de toda a procura registada na plataforma, um sinal de que a eletrificação deixou de ser uma opção de nicho para passar a integrar a lista de escolhas de quem procura um carro novo ou usado.
Um conflito internacional que mudou as pesquisas de um mês para o outro
Um dos momentos mais reveladores do semestre não teve origem no setor automóvel, mas na geopolítica. Durante o primeiro mês do conflito entre o Irão e os Estados Unidos, a incerteza quanto à evolução dos preços dos combustíveis refletiu-se de imediato no comportamento dos consumidores.
O resultado foi visível nas pesquisas do Standvirtual: passou a haver uma em cada quatro procuras por veículos 100% elétricos, quando até então esse rácio era de uma em cada sete. Uma alteração de hábitos rápida, que mostra até que ponto o custo de utilização do carro pesa hoje nas decisões das famílias.
Elétricos já lideram as matrículas de carros novos
O mercado de automóveis novos acompanhou este dinamismo. No primeiro semestre foram matriculados 136.863 ligeiros de passageiros, mais 10,5% do que no período homólogo. E em junho registou-se um marco simbólico: os 100% elétricos tornaram-se a motorização com maior quota de mercado.
- Elétricos (100%): 29% das matrículas
- Híbridos: 24%
- Gasolina: 21%
- Gasóleo: 15%
A importação seguiu o mesmo caminho. Foram importados 67.264 veículos nos primeiros seis meses, um aumento de 16,3% face ao primeiro semestre de 2025. Pela primeira vez, os eletrificados representam 44% do total das importações, ultrapassando os carros a gasolina (29%) e a gasóleo (27%).
Usados: mercado equilibrado e preços reais em queda
Depois de vários meses de forte dinamismo, o mercado de usados abrandou ligeiramente em junho, com a dinâmica de mercado a passar para -1,5%. Ainda assim, o indicador não traduz uma quebra da procura.
No conjunto do semestre, a procura de usados cresceu 11% e a oferta 12%, mantendo o Market Days Supply (tempo médio esperado de venda, tendo em conta a oferta atual de stock) abaixo do limite de referência dos 70 dias. Ou seja, continua a existir equilíbrio entre quem compra e quem vende.
Quanto aos valores, o preço médio da oferta aproximou-se dos 26.000 euros em junho. Essa subida resulta sobretudo da entrada no mercado de viaturas de valor mais elevado e, quando se comparam automóveis com características equivalentes, os preços efetivos mantêm uma tendência de descida.
Os modelos que os portugueses mais espreitam
No ranking geral dos usados mais visualizados no Standvirtual durante o primeiro semestre, o pódio ficou assim:
- Mercedes-Benz Classe E
- Mercedes-Benz Classe GLC
- Tesla Model 3
Já entre os automóveis exclusivamente elétricos, a liderança pertence ao Tesla Model 3, seguido do BMW i3 e do Tesla Model Y.
Marcas chinesas ganham terreno
Outra tendência a acompanhar é a afirmação dos fabricantes chineses. Em apenas um ano, estas marcas aumentaram a sua representatividade na oferta do Standvirtual de 0,56% para 1,43% e, na procura, de 0,96% para 1,84%.
No segmento dos elétricos (BEV), o avanço é bem mais expressivo: já valem cerca de 9% da oferta e da procura, o equivalente a quase um em cada dez automóveis elétricos pesquisados na plataforma. A MG e a BYD concentram mais de 84% da oferta de marcas chinesas, mas nomes como Aion, Leapmotor, Omoda e Jaecoo começam também a ganhar expressão junto dos consumidores portugueses.











