No final de 2025 existiam 3.182 agências bancárias em Portugal. Em 2010 eram 6.453. O país fechou cerca de metade da sua rede de balcões em quinze anos, e o efeito não se distribuiu por igual pelo território.
Os números da retirada
A tendência dura há cerca de uma década e reduziu em 41% o número de agências desde 2013.
Só nos últimos cinco anos foram encerradas 801 agências, acompanhadas da saída de cerca de 3.700 trabalhadores.
A maioria destes encerramentos ocorreu nos distritos de Lisboa, Porto, Braga e Aveiro, o que se explica pela concentração da rede: era onde havia mais balcões, é onde houve mais fechos em número absoluto.
O impacto sente-se noutro lado
Em termos de consequências para as pessoas, porém, o problema é mais agudo no interior.
Já em 2019, um levantamento então divulgado contabilizava 24 concelhos com menos de três agências bancárias, 22 dos quais com apenas duas, situados sobretudo no interior do continente e nos Açores. Como os encerramentos continuaram desde essa data, o número atual de concelhos nessa situação será necessariamente maior.
Num concelho com duas agências, o encerramento de uma delas não é uma redução de conveniência: é metade da oferta.
O número mais duro
Há um dado que ultrapassa a questão dos balcões. Um estudo do supervisor concluiu que 1.241 freguesias portuguesas, cerca de 40% do total, já não dispõem de qualquer ponto de acesso a dinheiro físico, seja balcão bancário, seja caixa automática.
Não é apenas não ter banco. É não ter forma de levantar dinheiro sem sair da freguesia.
Quem é mais afetado
O efeito recai sobre quem usa menos os canais digitais e sobre quem tem menos mobilidade. As duas condições sobrepõem-se com frequência, e ambas se concentram nas idades mais avançadas e nos territórios de baixa densidade.
Há ainda uma dimensão prática que escapa a quem faz tudo pela aplicação: há operações que continuam a exigir presença, atos com assinatura, questões de herança, resolução de problemas que o atendimento telefónico não resolve.
O que fazer quando o balcão fecha
Algumas alternativas existem e vale a pena conhecê-las antes de precisar.
Portugal continua a ser um dos países da zona euro com mais caixas automáticas por habitante, o que atenua parte do problema nas zonas onde elas se mantêm.
O levantamento de dinheiro em caixas de supermercado e em pontos de comércio aderente é outra via que se generalizou, com limites por operação definidos por cada rede.
Os serviços mínimos bancários são um direito previsto na lei, com custo máximo limitado, e cobrem conta, cartão de débito e um conjunto de operações. Muita gente com conta antiga e comissões elevadas desconhece que pode migrar.
Antes que feche
Duas medidas simples que poupam problemas.
A primeira é ativar e testar o acesso digital enquanto o balcão ainda está aberto, com alguém do banco a ajudar presencialmente. Aprender a usar a aplicação depois de o balcão fechar é bem mais difícil do que antes.
A segunda é saber qual é a agência de recurso. Quando um balcão encerra, os clientes são transferidos para outro, nem sempre o mais próximo de casa. Confirmar qual é, e como lá chegar em transporte público, evita a descoberta no pior momento.
Vale ainda perguntar ao banco que alternativas oferece para quem não usa canais digitais. Alguns mantêm atendimento telefónico dedicado ou serviços itinerantes em zonas sem cobertura, e essa informação raramente é divulgada.











