Probióticos: devemos ou não tomar estes micróbios vivos?

Alguns investigadores acreditam que estes microrganismos têm potencial para ajudar a combater o cancro, a depressão e obesidade. Outros defendem que é como tomar antibióticos sem estar doente. Afinal quem terá razão?

Hoje em dia é possível encontrar uma referência a probióticos em dezenas de produtos, desde o leite e o iogurte, até alguns champôs, espumas de barbear ou cosméticos faciais. Todos estes proclamam conter micróbios vivos que contribuem positivamente para a saúde de todos nós.

Mas afinal, o que são probióticos? Não são mais que bactérias semelhantes às que existem naturalmente no corpo humano. Apesar de associarmos a palavra “bactéria” a algo prejudicial para a nossa saúde, a verdade é que muitos destes microrganismos ajudam ao correto funcionamento do nosso organismo, em particular no que diz respeito ao nosso sistema digestivo.

O principal benefício dos probióticos está relacionado com o fortalecimento da nossa flora intestinal. Em períodos de maior stress, de muitas viagens, ou quando estamos menos bem de saúde, um incremento deste tipo de microrganismos pode ser benéfico para repor o nosso equilíbrio.

A grande questão em torno dos probióticos está relacionada com o facto de alguns produtos que surgiram no mercado anunciarem alguns destes benefícios sem terem necessariamente estudos que os comprovem devidamente. Isto gerou uma certa desconfiança perante o potencial inicialmente evidenciado pela investigação feita originalmente sobre este tema.

Adicionalmente, em 2016 Oluf Peterson (autor de uma meta-análise publicada na revista Genome Medicine) veio a público questionar o suposto benefício deste tipo de microrganismos, sobretudo para indivíduos sem quaisquer queixas ou patologias. Grupo que até então tinha sido o particular alvo de campanhas de alguns destes produtos. Oluf refere que “existe uma grande necessidade de novos ensaios, bem projetados e conduzidos para explorar o potencial da suposta melhoria no estado de saúde em pessoas saudáveis, que muitos destes produtos anunciam”.

Outros estudos mais recentes parecem confirmar que não existe grande benefício associado a um incremento de probióticos no organismo de uma pessoa saudável. A analogia feita por Jesús Sanchis (nutricionista e membro da Academia Espanhola de Nutrição e Dietética) é que para estas pessoas, tomar um probiótico faz o mesmo sentido que tomar um antibiótico quando não se está doente. “Pode ser um complemento a um tratamento, mas não a solução em si. É necessário ir até à raiz do problema que pode estar tanto num stress excessivo, como numa má alimentação ou estilo de vida sedentário”.

No entanto no meio de tudo isto parece existir alguma positividade associada aos benefícios destes microrganismos. De uma forma resumida cada vez mais especialistas têm vindo a observar que grande parte das doenças associadas ao estilo de vida ocidental têm como padrão comum uma inflamação crônica e defeitos na microbiota. Ora esta situação poderá abrir espaço para que novos probióticos, criados especificamente em função do microbioma individual de cada um, possam substituir os probióticos de tamanho único universais atuais. Assegurando um tratamento muito mais eficaz de algumas destas condições.

Ou seja, neste momento, embora o conhecimento sobre o impacto total destes microrganismos seja ainda muito escasso, o seu potencial poderá ser revolucionário.

Enquanto esperamos por esse futuro esperançoso, será essencial reforçar que os departamentos de marketing não deverão nunca utilizar termos pseudocientíficos como argumento de venda; sem terem antes estudos e investigação científica que comprove tudo aquilo que os produtos proclamam.

 

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