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Quantos cafés por dia são de mais?

Quantos cafés por dia são de mais?
Fernanda M. Reis

O café tem sido associado a benefícios em vários estudos, mas o efeito muda com a idade, com a medicação e com a hora a que se bebe. Eis o que se sabe.

Em Portugal, o café é ritual, é pausa e é conversa. É também uma das bebidas mais estudadas do mundo, e as conclusões costumam ser tranquilizadoras: o consumo moderado tem sido associado, em vários estudos observacionais, a menor risco de algumas doenças crónicas. Mas moderado significa quê, exactamente?

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O número de referência

As autoridades europeias de segurança alimentar consideram seguro, para adultos saudáveis, um consumo até cerca de 400 miligramas de cafeína por dia, o equivalente a aproximadamente quatro a cinco cafés expresso. Numa única toma, recomenda-se não ultrapassar os 200 miligramas.

Convém lembrar que a cafeína não vem só do café: chá preto e verde, refrigerantes de cola, bebidas energéticas, chocolate e alguns medicamentos para as dores também contribuem.

O que muda com a idade

O organismo metaboliza a cafeína mais devagar com os anos, o que significa que o efeito dura mais tempo. Um café às cinco da tarde pode ainda estar a fazer efeito às onze da noite. Em pessoas sensíveis, contribui para insónia, palpitações, ansiedade e refluxo.

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A cafeína aumenta ligeiramente a tensão arterial nas horas seguintes, o que é relevante para quem tem hipertensão mal controlada. E, por ter efeito diurético ligeiro, pode agravar a urgência urinária em quem já se levanta várias vezes de noite.

A hora do último café

Uma regra prática usada por especialistas do sono é não tomar cafeína depois das duas da tarde, para quem tem dificuldade em dormir. A cafeína tem uma semivida de várias horas, o que significa que metade dela ainda circula no organismo muito depois de a chávena estar lavada. Quem faz esta única mudança costuma notar diferença em poucos dias.

Interacções a ter em conta

O café pode interferir com a absorção de ferro e de cálcio, pelo que convém afastá-lo das refeições principais e dos suplementos. Interage ainda com alguns medicamentos, incluindo certos antibióticos, medicação para a tiroide e para a doença de Parkinson, e potencia o efeito de outros estimulantes. Quem toma vários fármacos deve perguntar ao farmacêutico.

Sinais de que é de mais

Palpitações, tremor nas mãos, irritabilidade, dores de cabeça ao fim da tarde, azia e dificuldade em adormecer. Se reconhece alguns destes sinais, experimente reduzir gradualmente, porque cortar de repente costuma provocar dores de cabeça e cansaço durante alguns dias.

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Café e ossos

Um consumo muito elevado de cafeína tem sido associado a maior eliminação de cálcio pela urina, o que interessa sobretudo a mulheres depois da menopausa e a pessoas com osteoporose. Não é motivo para deixar o café, mas é mais um argumento para não passar dos três ou quatro por dia e para garantir uma boa ingestão de cálcio na alimentação.

E o descafeinado?

É uma boa alternativa para a tarde e para a noite, mantendo o ritual sem a cafeína. Contém ainda uma pequena quantidade, mas muito reduzida. Já os cafés com muito açúcar ou acompanhados de bolos são outra conversa: o problema aí não é a cafeína, é o que vem ao lado.

Quanto ao velho conselho de tomar café «para acordar» de manhã cedo e mais um depois do almoço, continua a ser, para a maioria das pessoas, um hábito perfeitamente compatível com uma vida saudável.