Ter piscina deixou de ser um exclusivo de meia dúzia de moradias de luxo. Segundo uma análise da imobiliária eXp Portugal aos anúncios de venda em todo o país, 17,8% das casas actualmente no mercado, quase uma em cada cinco, incluem piscina. Das 136.213 casas à venda, 24.270 oferecem esse extra, embora a probabilidade de o encontrar dependa muito do sítio onde se procura.
Faro é outro campeonato
A média nacional esconde diferenças enormes entre regiões. No distrito de Faro, 8.161 das 18.529 habitações à venda têm piscina, o que corresponde a 44%: quem procura casa no Algarve tem mais do dobro da probabilidade de encontrar uma com piscina do que no resto do país. Seguem-se, no continente, Setúbal (22,4%) e Leiria (20,3%), com Lisboa ligeiramente acima da média nacional (17,5%) e a segunda maior oferta em número absoluto, com 4.960 imóveis.
Madeira à frente, Açores atrás
Nas regiões autónomas, os retratos não podiam ser mais diferentes. Na Madeira, quase um terço das casas à venda tem piscina (31,2%), o segundo valor mais alto do país a seguir a Faro. Nos Açores, a proporção fica-se pelos 5,6%. No extremo oposto do continente estão Castelo Branco (3,3%), Guarda (3,8%), Viseu (4,5%) e Bragança (4,9%), onde as piscinas continuam a ser raridade. No Porto, menos de uma em cada dez casas à venda dispõe de uma (9,9%), e Évora (14%) e Braga (12,5%) ficam a meio da tabela.
A geografia do fenómeno não surpreende. O Algarve vive do turismo e do arrendamento de férias, onde a piscina é quase obrigatória para atrair hóspedes, e o mesmo raciocínio vale para a Madeira. Já no interior norte e centro, com verões mais curtos e um mercado dominado pela habitação permanente, o investimento raramente se paga.
O que isto significa para quem vende
“Em mercados como Faro, onde as piscinas são relativamente comuns, ter uma não distingue necessariamente um imóvel da concorrência por si só”, comenta João Miguel Louro, director da eXp Portugal, sublinhando que nesses casos “uma boa apresentação, um preço adequado e um marketing eficaz continuam a ser essenciais”. Já nas zonas onde são raras, uma piscina “pode constituir um ponto de diferenciação muito mais claro”.
E para quem compra ou herda
Para quem pondera comprar casa para a reforma ou avalia o que fazer a uma casa de família, os números são um bom lembrete de que a piscina vale coisas diferentes em sítios diferentes. No Algarve, é quase equipamento de série e pesa menos na valorização; numa aldeia da Beira, pode ser o argumento que distingue o imóvel. Convém também não esquecer o outro lado da conta: manutenção, água e seguros fazem da piscina um luxo com custos fixos, que pesam mais em quem vive de rendimentos certos. Entre bombas, produtos de tratamento e reposição de água, a manutenção anual varia com o tamanho e o uso, e vale a pena pedir essas contas por escrito antes de fechar negócio numa casa com piscina já instalada. Os dados foram recolhidos pela eXp nos anúncios do idealista a 12 de agosto.











