A mesa posta ao domingo, os amigos que aparecem para o café, a família que se junta para um almoço que se prolonga pela tarde. Receber em casa é um hábito muito português, e um novo estudo europeu vem confirmá-lo: Portugal está entre os países onde mais se recebe e, sobretudo, onde isso menos stress causa.
Segundo o estudo, realizado pela marca de electrodomésticos AEG em 11 mercados europeus, 57,3% dos portugueses recebem amigos ou familiares em casa pelo menos uma vez por mês, o terceiro valor mais alto da Europa. E apenas 15,6% dizem sentir stress perante a ideia de receber convidados, o valor mais baixo de todos os países analisados, bem abaixo da média europeia de 24%.
Receber dá felicidade, mas nem a todos por igual
Para 45% dos portugueses, receber família e amigos em casa está associado a felicidade, o segundo valor mais alto entre os países estudados. Mas há diferenças entre gerações: a percentagem sobe para 50% entre os mais jovens, da chamada Geração Z, e desce para 36% entre quem tem 55 a 64 anos.
A diferença pode ter várias explicações. Com os anos, receber tende a significar mais trabalho, mais convidados, mais expectativas. Muitas vezes, é também sobre os ombros desta geração que recaem os grandes almoços de família, com filhos, netos e sogros à mesa.
Tempo, dinheiro e espaço
Apesar da boa disposição, há obstáculos. Um terço dos portugueses (32%) diz que receberia mais vezes se tivesse mais tempo, um quarto (25%) aponta o custo e 17% queixam-se de falta de espaço. Quando recebem, a prioridade para 69% é que os convidados se sintam confortáveis e bem acolhidos. Mais de um terço prefere encontros pequenos e íntimos, e a mesma proporção tem em conta as preferências dos convidados na hora de escolher o menu.
Há ainda um traço muito nacional: 45% dos portugueses preferem ir arrumando e limpando ao longo da refeição, o valor mais alto da Europa. E 27% já acham útil recorrer à inteligência artificial para adaptar receitas aos ingredientes que têm em casa.
Os melhores anfitriões fazem à sua maneira
Talvez a conclusão mais interessante do estudo seja esta: sete em cada dez europeus consideram que os melhores anfitriões são os que fazem as coisas à sua maneira, sem obsessão pela perfeição. Em Portugal, 73,3% concordam, o terceiro valor mais alto.
Receber sem complicar
Para quem gosta de ter a casa cheia mas já dispensa o cansaço, fica a lição: menos pode ser mais. Um prato único bem feito, como um arroz de forno ou um cozido, dispensa entradas e sobremesas elaboradas. Pedir a cada convidado que traga alguma coisa, um doce, uma garrafa, o pão, divide o trabalho e o custo. Pôr a mesa na véspera e aceitar a ajuda dos filhos e dos netos na cozinha poupa energia para o que realmente importa: a conversa.
No fim, ninguém se lembra se os guardanapos combinavam com a toalha. Lembra-se da tarde bem passada, das gargalhadas e de quem abriu a porta de casa.











