Livros, cadernos, mochilas e horários: a preparação do novo ano lectivo tem uma lista bem conhecida. Mas há uma parte que muitas famílias esquecem: os computadores, tablets e telemóveis que vão acompanhar os estudantes durante todo o ano. A ESET, empresa europeia de cibersegurança, aproveitou o arranque de Setembro para recordar cinco cuidados simples que pais e avós podem pôr em prática antes do primeiro dia de aulas.
O conselho de fundo é este: os dias que antecedem o regresso às aulas são o momento ideal para rever a segurança dos equipamentos e das contas que vão ser usados nos meses seguintes. As rotinas de estudo passam hoje por plataformas escolares, contas de correio electrónico e ferramentas de inteligência artificial, onde ficam guardados dados pessoais, credenciais e trabalhos.
Actualizar antes do primeiro toque
O primeiro passo é verificar se o sistema operativo, o navegador e as aplicações estão actualizados. As actualizações não servem apenas para trazer novidades: corrigem falhas de segurança que podem ser exploradas por atacantes. Convém também manter activo um bom antivírus e aproveitar para apagar programas e extensões que já ninguém usa.
Contas protegidas, ano descansado
O correio electrónico, o armazenamento na nuvem e as plataformas da escola concentram boa parte da vida digital de um aluno. Cada conta importante deve ter uma palavra-passe diferente e difícil de adivinhar, e a autenticação em dois passos deve ser activada sempre que exista. Vale a pena confirmar que o email e o número de telefone de recuperação estão actualizados. No caso das crianças mais novas, os adultos devem conhecer as contas principais e ajudar a configurá-las.
Menos permissões, menos riscos
Câmara, microfone, localização, contactos: muitas aplicações pedem acessos de que não precisam. Antes do arranque das aulas, reveja que aplicações têm estas permissões e retire as que não fazem falta. Uma aplicação usada apenas para ler documentos não precisa de saber onde o utilizador está. E as aplicações esquecidas, que já ninguém abre, devem ser removidas, sobretudo quando continuam a ter acesso a informação pessoal.
Inteligência artificial com juízo
Os assistentes de inteligência artificial ajudam a pesquisar, a organizar informação e a preparar trabalhos, mas exigem regras claras. Os estudantes não devem introduzir nestas ferramentas palavras-passe, dados bancários, moradas, documentos pessoais ou informação sobre a família. E devem habituar-se a verificar as respostas: um chatbot pode apresentar informação errada com toda a convicção.
Desconfiar do que chega com pressa
Uma conta escolar que «tem de ser actualizada já», um pagamento pendente, um aviso de bloqueio iminente: a urgência é a ferramenta preferida dos burlões. Pedidos inesperados de credenciais, de pagamentos ou de instalação de programas devem ser confirmados por um canal oficial antes de qualquer clique. O mesmo vale para os códigos QR, que não são seguros só porque aparecem num documento com ar familiar.
Este é um terreno onde a experiência dos mais velhos conta. Quem já viu esquemas e contos do vigário de todas as formas reconhece a pressa e a pressão como sinais de alarme, e pode passar essa desconfiança saudável aos netos. Uns minutos dedicados a actualizar um computador, rever permissões ou conversar sobre estes cuidados podem evitar meses de dores de cabeça. Como sublinha a ESET, a segurança digital faz-se de tecnologia, mas sobretudo de bons hábitos.











