A pergunta aparece quase sempre na mesma altura: quando as consultas passam a ser mais frequentes e as listas de espera do sistema público começam a pesar. Contratar um seguro de saúde nesta fase é possível, mas as condições mudam bastante em relação às propostas feitas aos 40 anos.
1. Idade máxima de subscrição e de permanência
É o primeiro ponto a confirmar. Muitas apólices têm idade limite para aceitar novos clientes e, algumas, idade a partir da qual deixam de renovar o contrato. Um seguro que termina precisamente quando mais faz falta tem pouco valor, por isso pergunte de forma directa se a renovação é vitalícia.
2. Doenças preexistentes
São, em regra, excluídas. Isso significa que aquilo que já está diagnosticado, e muitas vezes também o que dele decorre, fica fora da cobertura. O questionário clínico inicial deve ser preenchido com rigor absoluto: omissões podem levar à recusa de pagamento no momento em que se precisa, e à anulação do contrato.
3. Períodos de carência
Há um intervalo entre a contratação e o início efectivo de algumas coberturas, que varia consoante o tipo de acto, com prazos mais longos para internamento, cirurgia e parto. Confirme os prazos de tudo aquilo que motivou a contratação.
4. Capitais, copagamentos e rede
O capital é o limite anual que a seguradora paga. O copagamento é a parte que fica sempre a cargo do cliente, em euros ou em percentagem. E a rede convencionada determina onde pode ser atendido com os preços acordados: fora dela, paga tudo e pede reembolso parcial, segundo tabelas próprias.
Verifique se os hospitais e clínicas que usa habitualmente, e que ficam perto de casa, fazem parte da rede. Um seguro com boa rede em Lisboa pode ser inútil em Bragança.
5. Exclusões
É a secção que quase ninguém lê e a que decide as discussões futuras. Tratamentos dentários, próteses, óculos, medicina dentária, tratamentos de reabilitação prolongados e cuidados continuados estão frequentemente excluídos ou muito limitados.
Alternativas a considerar
Os planos de saúde e cartões de descontos não são seguros: dão acesso a tabelas de preços mais baixas em clínicas aderentes, mediante uma mensalidade reduzida, sem reembolsos nem coberturas de internamento. Para quem usa sobretudo consultas e exames, podem fazer mais sentido do que uma apólice cara.
Há ainda associações mutualistas e subsistemas próprios de antigas profissões que oferecem condições específicas a associados e a familiares.
Uma conta que vale a pena fazer
Some o prémio anual, os copagamentos prováveis e as exclusões que lhe interessam e compare com o que gastou realmente em saúde privada nos últimos três anos. Para muitas pessoas, a conclusão é que compensa mais reservar mensalmente esse valor numa conta própria de saúde. Para outras, sobretudo quem receia uma cirurgia ou internamento, o seguro traz tranquilidade que se paga.
Perguntas para fazer ao mediador
Peça as condições gerais por escrito antes de assinar e faça três perguntas directas: até que idade posso manter esta apólice, o que acontece se me for diagnosticada uma doença durante a vigência do contrato, e quanto subiu o prémio deste produto nos últimos cinco anos. As respostas, ou a ausência delas, dizem muito sobre o que está a comprar.











