A viagem está marcada, o seguro veio incluído no pacote ou no cartão de crédito e ninguém leu as condições. É assim na maior parte das vezes, e na maior parte das vezes não acontece nada. O problema aparece quando é preciso usá-lo, que é exatamente o momento em que já não há nada a fazer quanto ao que ficou por ler.
Nos seguros de viagem, a idade não funciona como um interruptor que se desliga aos 70. Funciona como uma escada. À medida que a idade sobe, tende a reduzir-se a duração máxima da viagem coberta, sobem os prémios, descem alguns capitais e aumentam as exclusões. Em várias apólices do mercado, quem tem até 70 anos pode contratar coberturas para viagens longas, entre os 71 e os 75 a duração máxima cai substancialmente, e a partir dos 76 fica limitada a períodos curtos. Os números concretos variam de seguradora para seguradora, e é por isso que vale mais confirmar do que assumir.
A cláusula que decide tudo
A parte mais importante da apólice não é o capital de assistência médica em destaque no folheto, é a definição de doença preexistente. Uma condição de saúde conhecida antes da viagem pode estar totalmente excluída, ter limites próprios muito inferiores ou ficar coberta apenas em situação de agravamento súbito e imprevisível.
Isto tem consequências práticas para muita gente com 60 ou 70 anos, porque a tensão alta controlada, a diabetes, um problema cardíaco antigo ou uma cirurgia recente entram nesta categoria. Um episódio no destino que a seguradora relacione com uma dessas condições pode ficar fora da cobertura, mesmo com o seguro pago e válido.
A forma de resolver não é esconder nada, é declarar. Existem apólices com coberturas específicas para doenças preexistentes, mediante questionário clínico e prémio agravado. Uma resposta incompleta no questionário é o argumento mais fácil que uma seguradora tem para recusar, e sai muito mais caro do que a diferença de preço.
O que verificar antes de pagar
Além da idade máxima e da questão das doenças anteriores, há um conjunto curto de pontos que decide a qualidade de um seguro de viagem. O capital de despesas médicas e a sua adequação ao destino, já que fora da Europa os custos hospitalares são de outra ordem de grandeza. A existência de repatriamento sanitário e de repatriamento em caso de morte, que são das coberturas mais caras de suportar sem seguro. O funcionamento do adiantamento de despesas, porque um seguro que só reembolsa depois obriga a adiantar valores altos. A cobertura de cancelamento e o que conta como motivo válido, incluindo doença súbita própria ou de familiar próximo. E a cobertura de bagagem e de medicação perdida, que é um problema sério para quem toma medicação diária.
Dentro da União Europeia, do Espaço Económico Europeu e da Suíça, o Cartão Europeu de Seguro de Doença dá acesso aos cuidados de saúde públicos clinicamente necessários nas mesmas condições dos residentes. É gratuito e vale a pena tê-lo, mas não substitui o seguro: não cobre repatriamento, não cobre assistência privada e não cobre cancelamento.
Por fim, vale a pena confirmar o que o cartão de crédito realmente inclui. Muitos seguros associados a cartões exigem que a viagem tenha sido paga com esse cartão, e quase todos têm limites de idade próprios que costumam ser mais apertados do que os das apólices contratadas em separado.











