Decorre até 22 de Setembro a Semana Europeia da Mobilidade, a iniciativa que todos os anos leva centenas de cidades europeias, e mais de uma centena de municípios portugueses, a promover formas de andar que não dependem do carro particular. O programa culmina no Dia Europeu Sem Carros, a 22.
Durante estes dias há autarquias que oferecem viagens gratuitas nos autocarros municipais, passeios pedestres guiados, passeios de bicicleta, sessões sobre segurança rodoviária e ruas encerradas ao trânsito. Vale a pena consultar o site ou as redes sociais da câmara e da junta de freguesia, porque a programação é decidida localmente e nem sempre é divulgada nos jornais.
Os descontos que já existem o ano inteiro
Mais importante do que a semana em si é o que fica depois dela. Muitos maiores de 65 anos continuam a pagar bilhete inteiro por desconhecerem os apoios a que têm direito.
Nos comboios, a CP aplica 50% de desconto a partir dos 65 anos nos serviços Alfa Pendular, Intercidades, Regional e InterRegional, e também nos comboios urbanos de Lisboa, Porto e Coimbra. Basta apresentar um documento de identificação na bilheteira e durante a viagem. Existe ainda o Cartão Dourado, dirigido a reformados e pensionistas cujo rendimento mensal do agregado não ultrapasse o salário mínimo nacional, que se pede em qualquer bilheteira.
Nos transportes urbanos, vários municípios têm passes gratuitos ou com desconto para residentes mais velhos, e há áreas metropolitanas com tarifários próprios para seniores. As regras variam de concelho para concelho, por isso a pergunta certa a fazer no balcão da câmara ou da operadora é simples: que apoio existe para a minha idade e para o meu rendimento?
Andar a pé também conta
A semana serve também para lembrar uma evidência: o meio de transporte mais barato e mais saudável continua a ser o próprio corpo. Caminhar 30 minutos por dia melhora a tensão arterial, o açúcar no sangue, o humor, o sono e o equilíbrio, e reduz o risco de quedas.
Para quem já não se sente seguro ao volante, sobretudo à noite, estas alternativas merecem uma experiência sem compromisso: fazer o percurso habitual de autocarro ou comboio num dia calmo, para perceber horários e paragens, costuma ser suficiente para ganhar confiança.
Ir a pé às compras e ao centro de saúde
Há ainda um efeito prático que costuma passar despercebido: quando se deixa o carro em casa, anda-se mais e conhece-se melhor a vizinhança. Muitas pessoas descobrem, ao fazer a pé o percurso até à farmácia ou ao mercado, que existem bancos de jardim, atalhos mais seguros e cafés onde se pode descansar a meio do caminho. São pormenores que fazem a diferença entre sair de casa todos os dias ou deixar de sair.
Uma nota sobre as bicicletas
As bicicletas eléctricas e os triciclos para adultos ganharam adeptos entre os mais velhos, porque reduzem o esforço nas subidas e permitem continuar a pedalar com problemas de joelhos. Se ponderar experimentar, comece em percursos planos e sem trânsito, como ciclovias junto ao rio ou à marginal, e use sempre capacete. Vários municípios têm bicicletas partilhadas com tarifários acessíveis e algumas juntas de freguesia organizam passeios acompanhados.











