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SNS precisa de mais 14 mil profissionais para eliminar trabalho suplementar

SNS precisa de mais 14 mil profissionais para eliminar trabalho suplementar
Forever Young com Lusa

O Serviço Nacional de Saúde precisava de mais de 14.287 profissionais para substituir as cerca de 20 milhões de horas de trabalho complementar realizadas em 2022, o que representaria um acréscimo de 10% da sua força de trabalho.

A conclusão consta de um estudo do Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas (Planapp), que agrega as horas realizadas de trabalho extraordinário feitas por profissionais de saúde afetos ao SNS e as horas de prestação de serviços médicos contratados pelas unidades de saúde, os chamados tarefeiros.

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De acordo com esta análise, em 2022 foram prestadas quase 20 milhões de horas suplementares (HTS) no SNS, o que representa um crescimento de 51,2% face aos valores de 2018, o que quer dizer que, nesse período, se verificou, em média, um aumento de cerca de 1,7 milhões de horas por ano.

Os três maiores centros hospitalares do país — Coimbra, Lisboa Norte e Lisboa Central – representaram um quinto (20,1%) do total de horas de trabalho suplementar realizadas em 2022, refere ainda a Planapp, que alerta para a “dependência progressiva desses mecanismos” para o funcionamento quotidiano do SNS.

Já em termos da maior sobrecarga de HTS por profissional, o “INEM destaca-se fortemente”, salienta também o estudo, que considera que isso reflete a escassez de recursos humanos permanentes do instituto responsável pela emergência médica.

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Em 2022, o tempo proveniente dos horários base de trabalho de médicos do quadro do INEM representava apenas 36% do tempo necessário à atividade médica desenvolvida, alerta o documento.

Relativamente às HTS por grupo profissional, os enfermeiros, os médicos especialistas, os assistentes operacionais e os médicos internos concentraram quase 80% do volume de horas suplementares.

Perante estes dados, a PlanApp conclui que, para eliminar a dependência de horas prestadas ao abrigo destes regimes de trabalho excecionais, o SNS precisaria de contratar 14.287 profissionais para assegurar as suas necessidades.

Isso representaria, de acordo com o estudo, cerca de 10% da força de trabalho do SNS em 2022, em especial para a região de Lisboa e Vale do Tejo, e com os médicos representando uma parcela significativa dessa necessidade nacional – mais de 20% dos médicos do SNS nesse ano.

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A PlanApp realça ainda que o recurso excessivo ao trabalho suplementar penaliza os profissionais com uma sobrecarga de horas “que, a prazo, é insustentável, inconciliável com as suas vidas pessoais e desfavorecedora da sua continuidade no SNS”.

Por outro lado, o aumento do contributo das prestações de serviços para o funcionamento do SNS evidencia a “precarização do trabalho médico e a sua crescente mercantilização”, refere o estudo.

“Estas realidades impactam negativamente na retenção de profissionais, na qualidade do trabalho em equipa, na continuidade dos cuidados prestados e na satisfação dos profissionais”, avisa ainda este organismo do Estado que apoia a definição e implementação de políticas públicas em várias áreas.

Tendo em conta as conclusões, a Planapp defende uma estratégia abrangente de planeamento, formação, alocação e qualificação do trabalho dos profissionais do setor da saúde, que tem de conhecer e considerar as particularidades regionais e locais, assim como as necessidades específicas de cada grupo profissional.

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PC // CMP

Lusa/Fim