Conduzir deixou de ser um prazer para quase sete em cada dez portugueses. Um estudo da EasyPark junto de condutores nacionais concluiu que 68,3% sentem stress diariamente ao volante, mais quatro pontos percentuais do que na edição anterior.
O retrato que sai dos números não é o que se esperaria. Os condutores mais ansiosos não são os mais velhos: são os mais novos. Entre os 18 e os 34 anos, mais de 80% admitem sentir pressão ao conduzir, e na camada mais jovem o valor ultrapassa os 90%.
A experiência conta, mas não resolve
Com a idade e os anos de estrada os valores descem, o que faz sentido. Mas descem até certo ponto e não mais: em nenhuma faixa etária a percentagem fica abaixo dos 63%.
Ou seja, mesmo entre quem conduz há quarenta anos, quase dois terços sentem algum tipo de tensão ou esgotamento sempre que pegam no carro. Não é uma questão de saber conduzir.
O carro que vem colado atrás
Este é o dado que mais nos diz respeito. Entre os condutores com 65 ou mais anos, 54% apontam a proximidade do veículo que circula atrás como principal factor de ansiedade ao volante.
É o segundo valor mais alto de todas as faixas etárias, logo a seguir aos 64,5% registados entre os 18 e os 24 anos. Curiosamente, é nas idades intermédias que este incómodo pesa menos. Nos dois extremos da vida ao volante, o carro colado ao pára-choques é a mesma fonte de aflição.
O que mais incomoda, no geral
Olhando para o conjunto dos condutores, a lista de motivos é curta e sempre a mesma, estudo após estudo. A proximidade do carro de trás lidera com 50,7%. Segue-se a necessidade de estacionar em paralelo, com 26,3%, e as manobras em cruzamentos e rotundas, com 21,3%.
Depois destes vêm ultrapassar, entrar em faixas de rodagem, discutir com quem vai ao lado e até ouvir música ou conversar durante a condução.
As mulheres respondem mais
O stress ao volante é mais declarado entre as mulheres: 75,1% responderam afirmativamente, contra os 68,3% do total. A diferença repete-se em quase todos os motivos apontados.
Vale a pena ler este número com cuidado. Estudos deste tipo medem aquilo que as pessoas dizem sentir, não aquilo que sentem. Uma maior disponibilidade para admitir a ansiedade pode explicar parte da diferença.
O que se pode fazer com o carro de trás
Como a principal fonte de tensão é exactamente aquela que não controlamos, convém saber o que fazer. A recomendação dos instrutores é sempre a mesma, e é contra-intuitiva: não acelerar.
Quem acelera porque o carro de trás está colado reduz o seu próprio espaço de travagem em relação ao veículo da frente, e passa a ter dois problemas em vez de um. O que resolve é aumentar a distância para a frente, o que dá mais tempo para travar suavemente, e deixar passar assim que houver espaço. Ceder a passagem não é um sinal de fraqueza ao volante, é o que a lei recomenda a quem circula mais devagar.
Quando a tensão é um sinal de outra coisa
Há uma distinção que o estudo não faz e que importa. Sentir stress no trânsito de Lisboa às seis da tarde é normal. Começar a evitar conduzir de noite, deixar de ir a sítios onde é preciso estacionar em paralelo, ou dar por si a cansar-se ao fim de vinte minutos de estrada é outra coisa.
Nesses casos, a origem pode estar na visão, na audição ou na medicação que está a tomar, e não nos outros condutores. Uma ida ao oftalmologista e uma conversa com o médico de família esclarecem isso melhor do que qualquer inquérito.











