Quando precisam de cuidados de saúde, metade dos portugueses admite sentir dificuldades em orientar-se no sistema. É uma das conclusões do mais recente Barómetro de Saúde da Médis, marca do Grupo Ageas Portugal, um estudo anual realizado pela empresa Boutique Research que procura traçar o retrato do acesso e dos comportamentos dos portugueses perante a saúde.
O dado mais expressivo tem que ver com o tempo. Para 72% dos inquiridos, os tempos de espera por consultas e tratamentos são a maior preocupação em matéria de saúde.
O que mais preocupa
Logo a seguir à demora no acesso surgem duas inquietações que qualquer família conhece bem: a possibilidade de vir a sofrer de uma doença oncológica e os custos financeiros associados às despesas de saúde.
O estudo regista ainda um peso crescente de três temas que, até há pouco tempo, ficavam em segundo plano nestes inquéritos: a saúde mental, o envelhecimento activo e o acesso a cuidados geriátricos adequados. Num país onde a população com mais de 65 anos não pára de crescer, esta última preocupação ganha uma dimensão muito concreta.
Perdidos no sistema
A dificuldade de orientação é talvez o sinal mais revelador do barómetro. Metade dos portugueses admite sentir-se perdida ao navegar no Serviço Nacional de Saúde. Saber a quem ligar, onde marcar, que serviço procurar primeiro e como acompanhar um pedido de consulta de especialidade continua a ser, para muita gente, um labirinto.
Ainda assim, o SNS mantém-se como pilar fundamental. É o recurso preferencial em situações de doença grave, procurado por 56% das pessoas nesses episódios, e também nas urgências. Onde o privado tem vindo a ganhar terreno é nas consultas de especialidade e nos exames, precisamente as áreas em que as listas de espera mais pesam.
A prevenção ganha espaço
O barómetro mostra que a prevenção está a ganhar importância na forma como os portugueses gerem a sua saúde. Entre quem tem seguro de saúde, cerca de 70% faz check-ups regulares, uma percentagem superior à registada entre quem não dispõe de qualquer cobertura.
Quanto aos motivos que levam a contratar um seguro, pesam sobretudo a percepção de um preço acessível, a rapidez no acesso a consultas e exames e a inclusão de benefícios para a família.
“O acesso à informação, a simplicidade dos percursos e a prevenção são factores cada vez mais importantes para o bem-estar dos portugueses”, afirma Eduardo Consiglieri Pedroso, membro da Comissão Executiva do Grupo Ageas Portugal, sublinhando a necessidade de ajudar as pessoas a tomarem decisões informadas sobre a sua saúde.
O que fazer para não se perder
Há alguns recursos que simplificam muito o percurso e que continuam a ser pouco usados. A linha SNS 24, através do 808 24 24 24, faz aconselhamento e encaminha para o serviço adequado, evitando idas desnecessárias às urgências. O médico de família é a porta de entrada para as consultas de especialidade hospitalares, e o pedido pode ser acompanhado através das plataformas digitais do SNS.
Vale também a pena manter em casa uma pasta com relatórios, análises recentes e a lista de medicação actualizada. Quando a consulta finalmente chega, é essa informação que permite aproveitar bem os poucos minutos disponíveis.
Sobre o estudo
O Barómetro de Saúde da Médis é um estudo quantitativo anual. O trabalho de campo decorreu entre 23 de Outubro e 10 de Novembro de 2025, com 1.200 entrevistas a homens e mulheres entre os 20 e os 70 anos, residentes em Portugal Continental. A amostra é representativa por género, idade e região, e inclui pessoas com e sem seguro ou plano de saúde.











