O termalismo é uma tradição antiga em Portugal e sobreviveu à moda dos hotéis com piscina aquecida. Há hoje várias dezenas de estâncias termais em actividade, boa parte delas no interior norte e centro, em vilas onde o programa da semana inclui tratamento de manhã e passeio à tarde.
Não é o mesmo que um spa
A distinção é importante. Um spa é um espaço de bem-estar, com água aquecida e massagens. Uma estância termal usa água mineral natural, com composição química reconhecida oficialmente, aplicada em tratamentos com indicação terapêutica e sob supervisão médica.
Por isso, o acesso aos programas clássicos implica uma consulta médica na própria estância, que avalia a situação e prescreve os tratamentos adequados.
Para que servem
As indicações mais frequentes são as doenças reumáticas e músculo-esqueléticas, como artroses e dores crónicas da coluna, as vias respiratórias, incluindo rinites e bronquites de repetição, e as doenças de pele. Há ainda águas com indicações digestivas e circulatórias.
Os tratamentos vão de banhos e duches a inalações, nebulizações, aerossóis, lamas e hidromassagem, consoante o tipo de água e a prescrição.
Quanto tempo dura um programa
Os programas clássicos costumam ter uma duração de várias sessões consecutivas, tipicamente uma ou duas semanas, porque o efeito depende da repetição. Existem também programas curtos, de fim-de-semana, mais orientados para relaxamento.
Comparticipação
Determinados tratamentos termais, quando prescritos por médico e realizados em estâncias reconhecidas, podem beneficiar de comparticipação, nomeadamente através de subsistemas de saúde e, em certas condições, no âmbito de programas do Serviço Nacional de Saúde. As regras mudam com alguma frequência, pelo que convém confirmar junto da estância e do médico de família antes de marcar.
Vários municípios têm ainda programas de termalismo social para residentes seniores, com transporte e alojamento a preços reduzidos. Pergunte na junta de freguesia.
Onde ir
O mapa termal português é vasto e cobre praticamente todo o interior. Encontram-se estâncias no Gerês e no Alto Minho, em Trás-os-Montes, nas Beiras, na região das Caldas do centro do país e no Alentejo. Muitas estão integradas em vilas históricas, com parques, percursos pedestres e gastronomia própria, o que transforma o tratamento numa pequena viagem.
O que levar
Roupão e chinelos, se não estiverem incluídos, fato de banho, touca, e os relatórios médicos e a lista de medicação para a consulta inicial. Roupa quente para a saída dos tratamentos, sobretudo no Outono e no Inverno, porque o contraste de temperatura é grande.
Cuidados
Quem tem doença cardíaca, hipertensão descontrolada, infecções activas ou feridas abertas deve mencioná-lo na consulta. Alguns tratamentos com calor não são adequados nestas situações, e é precisamente por isso que a avaliação médica existe.
Fora dos meses de verão, a ocupação baixa, os preços descem e o ritmo das vilas termais torna-se mais calmo. Para quem não está preso a calendários escolares, o Outono é a melhor altura do ano para ir.
Levar consigo
Para a consulta inicial, leve análises recentes, relatórios de doenças conhecidas e a lista completa de medicação. Quem tem doença cardíaca ou respiratória deve dizê-lo logo, porque condiciona os tratamentos que podem ser prescritos.
E reserve as tardes: a maioria dos programas termais concentra os tratamentos de manhã, precisamente para deixar o resto do dia livre para caminhar, visitar a região e descansar, que é a outra metade do efeito.











