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Tonturas ao virar na cama: a causa que se resolve depressa

Tonturas ao virar na cama: a causa que se resolve depressa
Rogério Junior

Virar-se na cama e sentir o quarto a andar à roda durante alguns segundos é o retrato de uma perturbação do ouvido interno que é a causa mais comum de vertigem em pessoas mais velhas. Tem tratamento, e o tratamento faz-se com as mãos, no consultório.

O cenário repete-se com uma precisão que costuma surpreender quem o descreve. A pessoa vira-se na cama, ou levanta-se de repente, ou inclina a cabeça para trás para pendurar roupa ou para olhar para uma prateleira alta, e o mundo começa a andar à roda. Dura alguns segundos, às vezes menos de um minuto, passa quando a cabeça fica quieta e volta ao repetir o mesmo movimento. Pode vir com náusea e deixa quem passa por isso com medo de se mexer.

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Este quadro tem nome, vertigem posicional paroxística benigna, e é a causa mais comum de vertigem em adultos e sobretudo em pessoas mais velhas. A palavra benigna refere-se à origem e não às consequências: numa idade em que uma queda pode significar uma fratura da anca e a perda de autonomia, uma tontura súbita ao levantar da cama é um problema sério.

Cristais fora do sítio

Dentro do ouvido interno existem pequenos cristais de carbonato de cálcio que fazem parte do sistema de equilíbrio. Quando alguns se soltam e vão parar a um dos canais semicirculares, passam a deslocar-se com a gravidade a cada mudança de posição da cabeça e enviam ao cérebro a informação de que o corpo está a rodar quando não está. O conflito entre o que o ouvido diz e o que os olhos veem produz exatamente aquela sensação. O canal posterior é o envolvido na larga maioria dos casos.

É importante distinguir isto de outras tonturas, porque as causas são muito diferentes. A vertigem posicional é curta, é desencadeada por movimentos concretos da cabeça e não traz outros sintomas. Quando há tonturas persistentes que não dependem da posição, perda de audição, zumbido, dor de cabeça intensa, visão dupla, fraqueza ou dormência num lado do corpo, dificuldade em falar ou desequilíbrio marcado ao andar, não é este o quadro e a ida à urgência não deve esperar. A tontura pode ainda vir da tensão arterial que desce ao levantar, de anemia, de problemas cardíacos ou de medicação, o que é frequente em quem toma vários medicamentos.

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O tratamento é manual

A parte menos conhecida é que a vertigem posicional não se trata, na maioria dos casos, com comprimidos. Trata-se com manobras de reposicionamento, sequências de movimentos da cabeça e do tronco executadas por um profissional, que usam a gravidade para reconduzir os cristais ao sítio onde não causam problemas. A mais conhecida chama-se manobra de Epley, foi descrita nos anos 80 e continua a ser o tratamento de referência.

O que costuma impressionar quem passa por isto é a rapidez. Boa parte das pessoas melhora logo na primeira sessão, e quem chegou ao consultório a andar encostado às paredes sai muitas vezes sem sintomas. Pode ser preciso repetir, e há casos que recidivam meses depois, mas o procedimento é o mesmo e volta a resultar.

O diagnóstico faz-se com uma manobra de observação, sem exames de imagem, e a porta de entrada é o médico de família, que confirma o quadro ou encaminha para otorrinolaringologia ou para fisioterapia vestibular. Vale a pena descrever com detalhe os movimentos que desencadeiam a tontura e quanto tempo dura, porque é essa descrição que orienta tudo o resto. Em caso de dúvida sobre a urgência, a linha SNS 24 ajuda a decidir se o caso pode esperar por consulta.