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Trabalhar depois de reformado: o que é permitido e o que muda nos descontos

Trabalhar depois de reformado: o que é permitido e o que muda nos descontos
Maria Isadora Ribeiro

É possível acumular pensão com trabalho na maioria das situações, mas há regras diferentes conforme o tipo de pensão. E continua a descontar-se.

Há quem se reforme e queira continuar a trabalhar, por gosto, por necessidade ou porque a empresa continua a precisar. A dúvida é quase sempre a mesma: posso receber pensão e salário ao mesmo tempo?

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A regra geral

Na pensão de velhice, a acumulação com rendimentos de trabalho é, em regra, permitida. É possível continuar a trabalhar por conta de outrem, abrir actividade como trabalhador independente ou fazer trabalhos pontuais, mantendo a pensão.

O que muda são as obrigações contributivas e fiscais, e é aí que convém prestar atenção.

As excepções que importam

Nas pensões de invalidez, as regras são diferentes e mais restritivas, porque o próprio conceito de incapacidade está em causa. Exercer actividade pode implicar revisão ou suspensão da pensão, e deve ser sempre comunicado e esclarecido previamente junto da Segurança Social.

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Nas pensões antecipadas, existem limitações e períodos de impedimento para regressar à função pública ou ao mesmo empregador, consoante o regime ao abrigo do qual a reforma foi pedida.

E em determinados regimes especiais, como os de profissões com condições próprias, aplicam-se regras específicas. Antes de aceitar trabalho, o passo certo é confirmar a sua situação concreta na Segurança Social ou na Caixa Geral de Aposentações.

Continua a descontar

Sim. Quem trabalha depois de reformado continua sujeito a contribuições para a Segurança Social, com taxas que podem ser diferentes das aplicáveis a trabalhadores não pensionistas. Esses descontos não aumentam, em regra, a pensão já atribuída.

É um ponto que causa frequentemente surpresa e que convém integrar nas contas antes de decidir.

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O efeito no IRS

É provavelmente o factor mais importante. A pensão e o salário somam-se no rendimento anual e podem empurrar o total para um escalão superior de IRS, o que significa uma taxa mais alta sobre a parte adicional.

Vale a pena fazer uma simulação antes de aceitar, porque há situações em que trabalhar mais rende menos do que parece. Um contabilista resolve essa conta numa consulta curta, e o simulador do Portal das Finanças dá uma primeira ideia.

Como trabalhar sem contrato permanente

Muitos reformados optam por prestação de serviços pontual, como formação, consultoria ou peritagens. Nesse caso é necessário abrir actividade nas Finanças, emitir recibos e cumprir as obrigações de trabalhador independente, com regras próprias de isenção no primeiro ano e de contribuições a partir de determinados valores.

Voluntariado, a alternativa

Para quem quer continuar activo sem complicações fiscais, o voluntariado organizado tem enquadramento próprio, com seguro e sem implicações na pensão. Escolas, museus, bombeiros, associações de apoio social e hospitais recebem voluntários com regularidade.

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Uma nota final

Qualquer alteração de situação deve ser comunicada. Receber uma prestação a que se deixou de ter direito obriga à devolução dos valores, muitas vezes anos depois e de uma só vez, e é dos sustos mais desagradáveis que se pode ter nesta fase da vida.

Antes de decidir

Ponha no papel três números: quanto vai receber, quanto vai pagar a mais de IRS e quanto vai descontar. É frequente a diferença final ser bastante menor do que o valor combinado, e essa conta feita a tempo evita frustrações e discussões com quem contrata.