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Tremor nas mãos: quando é benigno e quando merece ser investigado

Tremor nas mãos: quando é benigno e quando merece ser investigado
Maria Isadora Ribeiro

Tremer ao levar a chávena à boca ou ao assinar um papel não é necessariamente Parkinson. Há diferenças que distinguem os dois casos mais frequentes.

O tremor é um dos sintomas que mais preocupa, e quase sempre pela mesma razão: o receio de que seja doença de Parkinson. Na prática clínica, a causa mais frequente de tremor em adultos é outra, chama-se tremor essencial, e tem um comportamento diferente.

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A diferença que mais ajuda

O tremor essencial aparece sobretudo com a acção: ao segurar a chávena, ao levar a colher à boca, ao escrever, ao enfiar uma linha na agulha. Melhora com o repouso e piora com a ansiedade e com a cafeína.

O tremor da doença de Parkinson é, tipicamente, o contrário: surge em repouso, com a mão pousada na perna, e diminui quando a pessoa pega em alguma coisa. Costuma começar de um lado e é frequentemente acompanhado por lentidão de movimentos, rigidez e alterações da marcha e da escrita, que fica mais pequena.

O tremor essencial

É frequente, aumenta com a idade e tem forte componente familiar: muitas pessoas recordam um pai ou um avô com o mesmo tremor. Afecta sobretudo as mãos, mas pode atingir a cabeça, com movimentos de negação ou afirmação, e a voz, que fica trémula.

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Não é perigoso, mas pode ser incapacitante em tarefas finas e socialmente incómodo. Existem tratamentos, com medicamentos que reduzem a amplitude do tremor, e, em casos graves e seleccionados, procedimentos mais avançados.

O álcool alivia temporariamente o tremor essencial, o que leva algumas pessoas a usá-lo como automedicação. É um caminho a evitar, pelas razões óbvias.

Outras causas a excluir

Hipertiroidismo. Excesso de cafeína. Ansiedade. Abstinência alcoólica. Baixa de açúcar. E, muito importante, medicamentos: alguns antidepressivos, o lítio, broncodilatadores usados na asma e na doença pulmonar crónica, corticoides e certos antieméticos e antipsicóticos podem provocar tremor.

Levar a lista completa da medicação à consulta é, muitas vezes, o que resolve o caso.

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O que ajuda no dia-a-dia

Talheres mais pesados e com cabo grosso, canecas com tampa e com duas asas, copos cheios só até meio, canetas grossas. Apoiar os cotovelos na mesa reduz a amplitude do tremor. E reduzir café e bebidas energéticas dá resultados visíveis em poucos dias.

Quando ir ao médico

Se o tremor começou de forma súbita, se é assimétrico e aparece em repouso, se vem acompanhado de lentidão, rigidez, alteração da escrita, da voz ou do equilíbrio, ou se interfere com a alimentação e a higiene.

O diagnóstico é sobretudo clínico e faz-se observando a pessoa em várias tarefas, pelo que vale a pena ir à consulta preparado para escrever, beber água e desenhar uma espiral, que são os testes habituais.

Escrever ajuda ao diagnóstico

Leve à consulta uma folha escrita por si em dois momentos diferentes e, se possível, um vídeo curto das mãos em repouso e a segurar um copo. São elementos simples que ajudam bastante quem observa.

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E uma nota tranquilizadora: a grande maioria dos tremores que chegam às consultas não corresponde a doença de Parkinson. Procurar esclarecimento serve exactamente para isso, para deixar de viver com a dúvida.

E, em qualquer dos casos, o tremor tende a piorar com a falta de sono e com o stress. Dormir melhor não resolve a causa, mas reduz a amplitude e devolve alguma segurança nos gestos do dia-a-dia.