Houve uma altura em que quase todas as casas tinham um cesto com novelos. Depois desapareceu, e agora regressa, inclusive entre gente nova, com grupos de tricô em cafés e bibliotecas. Para quem aprendeu em criança, é reencontrar um gesto que as mãos não esqueceram.
Porque é que faz bem
O movimento repetitivo e rítmico das agulhas tem um efeito calmante semelhante ao de outras actividades manuais, e é frequentemente comparado à meditação. Ocupa as mãos e a atenção, o que ajuda a interromper ciclos de preocupação, e dá uma coisa rara: um resultado visível ao fim do dia.
Há ainda o benefício prático de manter a destreza dos dedos e a coordenação, e o benefício social, que não é menor, quando se faz em grupo.
Começar pelo crochet ou pelo tricô?
O crochet usa uma única agulha com bico e é, para a maioria das pessoas, mais fácil de aprender e de corrigir, porque se desmancha sem perder pontos. O tricô, com duas agulhas, dá tecidos mais elásticos e é o indicado para camisolas e meias.
Para quem nunca pegou em nenhum dos dois, o crochet costuma dar resultados mais depressa, o que ajuda a não desistir.
O material para começar
Um novelo de lã de espessura média, agulhas do número indicado na etiqueta do novelo, uma tesoura e uma agulha de coser lã com buraco grande. Evite lãs muito finas e escuras no início: cansam a vista e escondem os pontos.
Prefira agulhas de bambu ou de madeira, que agarram melhor o fio e escorregam menos do que as de metal.
Primeiros projectos
Um pano de cozinha, um cachecol simples, uma manta feita de quadrados que se cosem no fim. Nada com formas nem cavas. O erro mais comum de quem recomeça é escolher logo uma camisola, cansar-se a meio e nunca mais pegar nas agulhas.
Se tem artrose nas mãos
Não é impedimento, mas pede adaptações. Use agulhas mais grossas, que obrigam a menos movimentos por fila, e fios mais volumosos. Faça pausas de dez minutos a cada meia hora e alongue os dedos e os punhos. Existem agulhas com cabo ergonómico, mais fáceis de segurar.
Se aparecer dormência nos dedos ou dor no punho que se prolonga, vale a pena falar com o médico, porque pode estar a agravar um problema de compressão nervosa.
Onde aprender
Muitas juntas de freguesia, centros de dia e universidades seniores têm oficinas gratuitas ou quase. As lojas de lãs costumam dar pequenas explicações a quem compra material. E há uma quantidade enorme de vídeos gratuitos na internet que mostram os pontos em grande plano, o que resolve dúvidas melhor do que qualquer livro.
Dar utilidade ao que se faz
Muitas instituições recebem mantas, gorros e meias feitas à mão para distribuir por pessoas carenciadas, e há grupos organizados que juntam quadrados de várias pessoas para formar mantas grandes. Para quem faz por gosto e já não sabe a quem oferecer, é uma boa forma de manter as agulhas a andar.










