Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos a 2025, mostram que Lisboa gerou até 45% das receitas turísticas nacionais, cerca de 11 mil milhões de euros num total de 29,1 mil milhões, ao mesmo tempo que representou perto de 26% das dormidas registadas em Portugal. A leitura da Associação Turismo de Lisboa é clara: a receita está a evoluir acima do volume de visitantes.
Menos volume, mais valor
O desfasamento entre estes dois indicadores (até 45% da receita turística nacional, pouco mais de um quarto das noites passadas em alojamento) é o que sustenta a ideia de mudança de modelo. Lisboa quer captar visitantes que gastem mais e que valorizem a qualidade da oferta, em vez de apostar sobretudo no aumento do número de chegadas.
É essa a leitura de António Valle, Diretor-Geral da Associação Turismo de Lisboa: “A competitividade de um destino mede-se cada vez mais pela sua capacidade para gerar riqueza e contribuir para o desenvolvimento económico. Lisboa afirma-se pela qualidade da sua oferta, pela autenticidade da experiência que proporciona e pela capacidade para atrair visitantes que valorizam esses atributos. Mais do que aumentar o número de visitantes, queremos consolidar um turismo cada vez mais qualificado, que permaneça mais tempo, valorize a cultura local e deixe um contributo cada vez mais relevante para a economia”.
Cerca de 5% do PIB nacional
O contributo do turismo para o Produto Interno Bruto português ascendeu a 36 mil milhões de euros em 2025. Desse total, entre 14 e 16 mil milhões de euros foram gerados em Lisboa, o equivalente a cerca de 5% do PIB nacional.
Este impacto não fica confinado aos hotéis. Estende-se a vários setores que fazem parte do quotidiano de quem vive na cidade e de quem a visita:
- Hotelaria
- Comércio
- Restauração
- Cultura
- Transportes
- Organização de congressos e grandes eventos internacionais
De onde vêm os visitantes
A evolução assenta numa procura internacional consistente, impulsionada por mercados estratégicos como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha, o Brasil e a Alemanha, a par do crescimento do mercado chinês.
Para esta evolução contribuíram, segundo a Associação Turismo de Lisboa, a qualificação da oferta turística, a valorização cultural, a aposta na hotelaria de categoria superior e o dinamismo do turismo de negócios e congressos. Em conjunto, consolidaram um modelo de desenvolvimento orientado para a criação de maior valor e para o reforço do impacto económico do turismo na cidade.
Uma cidade que aposta na qualidade da estadia
Para quem planeia uma escapadinha à capital, a tendência tem tradução prática. A aposta declarada na hotelaria de categoria superior, na valorização cultural e em estadias mais longas aponta para uma cidade que quer ser visitada com tempo, e não apenas atravessada entre dois voos.
É esse, segundo a Associação Turismo de Lisboa, o perfil de visitante que a cidade quer consolidar: alguém que permanece mais tempo, valoriza a cultura local e deixa um contributo mais relevante para a economia, e não apenas para a conta do alojamento.











