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Universidade de Aveiro desenvolve novo método para melhorar diagnóstico da infertilidade masculina

Universidade de Aveiro desenvolve novo método para melhorar diagnóstico da infertilidade masculina
Rogério Junior

Projeto aposta em biomarcadores moleculares para tornar tratamentos mais eficazes

A infertilidade masculina representa cerca de metade dos casos de infertilidade nos casais, mas continua a ser menos estudada do que o fator feminino. Para responder a esta lacuna, a Universidade de Aveiro está a desenvolver um novo método de diagnóstico baseado em marcadores moleculares.

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O projeto, designado FERTI$CAN, pretende complementar os exames convencionais e permitir escolhas terapêuticas mais ajustadas a cada casal.

Quando os exames são normais, mas a gravidez não acontece

Atualmente, o diagnóstico da infertilidade masculina baseia-se sobretudo na análise básica do sémen, avaliando parâmetros como concentração, mobilidade e viabilidade dos espermatozoides. No entanto, em cerca de 30% dos casos, estes exames apresentam resultados considerados normais, mesmo quando existem dificuldades em engravidar.

É precisamente neste grupo de situações sem causa aparente que o projeto quer intervir.

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Segundo Joana Santiago, coordenadora do FERTI$CAN e investigadora do Instituto de Biomedicina da Universidade de Aveiro (iBiMED), o objetivo é identificar um painel de biomarcadores moleculares — como proteínas e ácidos ribonucleicos (ARN) — presentes no interior dos espermatozoides e associados ao sucesso da fertilização.

Avaliar a qualidade funcional dos espermatozoides

Ao contrário dos métodos atuais, que se centram sobretudo na observação morfológica, esta nova abordagem permitirá avaliar a qualidade funcional dos espermatozoides.

A ausência ou alteração de determinados marcadores pode comprometer etapas fundamentais da fertilização, como a capacidade de penetrar o oócito. “Se uma proteína essencial estiver ausente, podemos prever que a gravidez natural será improvável”, explica Joana Santiago.

Neste caso, o casal poderá ser encaminhado mais cedo para técnicas de Procriação Medicamente Assistida, como a fertilização in vitro, aumentando as probabilidades de sucesso e reduzindo o desgaste emocional.

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Potencial impacto clínico

Ao fornecer informação mais detalhada sobre a capacidade real de fecundação, o método poderá:

  • Melhorar o diagnóstico da infertilidade masculina

  • Reduzir o número de tratamentos desnecessários

  • Diminuir o tempo até à gravidez

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  • Minimizar o impacto emocional nos casais

O projeto conta ainda com a colaboração de equipas médicas das unidades locais de saúde de Aveiro e Gaia/Espinho, integrando especialistas em urologia, ginecologia e embriologia.

Ainda em fase inicial

Apesar do potencial promissor, o método encontra-se numa fase inicial de desenvolvimento. Será necessária validação clínica alargada e cumprimento de processos regulatórios rigorosos antes de poder chegar à prática clínica.

“Serão ainda necessários vários anos até que este teste possa ser utilizado de forma corrente”, sublinha a investigadora.

Num contexto em que cada vez mais casais enfrentam desafios na fertilidade, avanços como este representam um passo importante para diagnósticos mais precisos e decisões médicas mais informadas — com impacto direto na qualidade de vida e no bem-estar emocional.