Viajar sozinho deixou de ser coisa de mochileiros de vinte anos. Há cada vez mais gente a fazê-lo depois dos filhos saírem de casa, depois da reforma ou simplesmente porque os horários e os gostos dos amigos nunca coincidem. Um novo estudo da eDreams ajuda a perceber como os portugueses imaginam esse tipo de viagem.
Nem escapadinha nem expedição
Para 44% dos portugueses, a duração ideal de uma viagem a solo fica entre quatro e sete dias. As escapadinhas de um a três dias reúnem 28% das preferências e as viagens entre oito e 14 dias ficam-se pelos 15%.
Há diferenças entre homens e mulheres. Elas tendem a preferir viagens mais curtas: 35% escolhem entre um e três dias, contra 18% dos homens. Eles mostram maior predisposição para viagens longas, entre oito e 14 dias, uma opção escolhida por 21% dos homens e apenas 10% das mulheres. Ainda assim, a semana curta continua a ser a escolha mais frequente em ambos os casos.
Destino: qualquer lugar
Quatro em cada dez portugueses afirmam que não se importariam de viajar sozinhos para qualquer parte do mundo. Outros 34% preferem ficar pelo mesmo continente e apenas 20% escolheriam manter-se dentro das fronteiras nacionais.
O avião é o meio de transporte favorito para uma viagem a solo, escolhido por 71%, seguido do comboio, com 45%, e do carro, com 40%.
A inteligência artificial como companheira de viagem
Um dos dados mais curiosos do estudo tem que ver com a tecnologia. A maioria dos portugueses, 57%, considera que ferramentas de inteligência artificial como o ChatGPT seriam úteis para planear a viagem, embora insuficientes por si só. Mais de um quarto, 27%, vê nestas ferramentas um verdadeiro companheiro digital, para traduzir, pedir indicações ou tratar da logística. Apenas 14% dizem que não recorreriam à inteligência artificial numa viagem a solo.
Segundo a eDreams, Portugal é mesmo um dos países analisados onde mais viajantes vêem a inteligência artificial como apoio útil ao planeamento, à frente de Itália e Espanha, ambas com 53%.
Dicas para a primeira viagem a solo depois dos 50
Comece por um destino onde se sinta à vontade: uma cidade europeia com bons transportes públicos, onde a língua não seja uma barreira intransponível e onde seja fácil andar a pé. Uma primeira viagem de quatro ou cinco dias, como sugere o estudo, dá tempo para conhecer sem cansar.
Escolha alojamento central, mesmo que custe um pouco mais: poupa em transportes e dá segurança no regresso ao fim do dia. Visitas guiadas em grupo e experiências como aulas de cozinha são uma forma simples de conviver sem perder a liberdade.
Deixe o itinerário e os contactos do alojamento com alguém de confiança, leve cópia digital dos documentos e confirme que tem seguro de viagem. Dentro da Europa, o Cartão Europeu de Seguro de Doença é gratuito e deve acompanhar sempre o cartão de cidadão.
A inteligência artificial ajuda, mas confirme
As ferramentas de inteligência artificial são úteis para sugerir roteiros, traduzir uma ementa ou explicar como funciona o bilhete de metro de uma cidade. Mas cometem erros em horários, preços e moradas. Confirme sempre a informação importante nos sites oficiais antes de comprar ou de sair de casa.
E não tenha receio de jantar sozinho num restaurante. É, muitas vezes, o momento em que se percebe que viajar sem companhia não é o mesmo que viajar sem conversa.











