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Vinagre de Vinho do Porto: a ideia que o chef Rui Paula assinou

Vinagre de Vinho do Porto: a ideia que o chef Rui Paula assinou
Maria Isadora Ribeiro

Um White Reserve e um Tawny 20 Anos deram origem a dois vinagres com usos distintos. E a uma lição que serve para qualquer cozinha.

Há ingredientes que ficam décadas no mesmo sítio da despensa sem que ninguém pense muito neles. O vinagre é um deles. Usa-se na salada, usa-se para amaciar uma carne, e pouco mais.

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A Moreno, marca de vinagres da Casa Mendes Gonçalves, apresentou esta semana duas referências que tentam mudar isso: vinagres feitos a partir de Vinho do Porto, em parceria com a Rozès e com curadoria gastronómica do chef Rui Paula, distinguido com duas estrelas Michelin.

Dois vinhos, dois vinagres diferentes

O primeiro parte de um Vinho do Porto White Reserve. O resultado descreve-se como aveludado, fresco e cítrico, com um perfil delicado que pede pratos leves.

O segundo parte de um Tawny envelhecido vinte anos em barricas de carvalho, e é outra coisa por completo: denso, encorpado e aromaticamente doce. São dois produtos com usos distintos, não duas versões do mesmo.

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Com o que combina cada um

O White Reserve foi pensado para peixe, marisco e carnes brancas. E, curiosamente, também para pastelaria, o que é menos óbvio mas faz sentido num vinagre de acidez baixa e notas cítricas.

O Tawny 20 Anos pede o oposto. Carnes de sabor intenso, queijos, reduções e legumes assados ou estufados. Nas reduções é onde o carácter doce do Porto envelhecido se nota mais.

O que diz o chef

Rui Paula explica que o que o interessou no projecto foi partir de dois Vinhos do Porto com perfis muito diferentes e perceber como essas características se transportavam para a cozinha. E deixa uma ideia que vale para qualquer cozinha, não só para as de estrela: a acidez é determinante na construção de um prato.

É uma verdade simples e esquecida. Muito prato caseiro que sai pesado ou sem graça não precisa de mais sal nem de mais gordura. Precisa de um golpe de acidez no fim.

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Uma casa que já fez isto antes

A Casa Mendes Gonçalves não é estreante em vinagres pouco convencionais. Em 1982, quando o mercado português vivia praticamente só do vinagre de vinho, a família lançou um vinagre de figo, feito a partir do figo de Torres Novas.

Quarenta e quatro anos depois, a lógica é a mesma: pegar numa categoria com séculos de história e procurar-lhe usos novos. A empresa é hoje uma das maiores do sector alimentar em Portugal, com marcas como a Paladin e a Peninsular.

Preços e formato

Ambos se apresentam em frascos de 100 mililitros. O White Reserve tem um preço recomendado de 17,99 euros e o Tawny 20 Anos de 26,99 euros, valores meramente indicativos, já que cada loja define o seu.

São preços de produto de nicho, e convém dizê-lo com todas as letras: não é vinagre para regar a salada de todos os dias. Cem mililitros dão para muitas utilizações se forem usados como se usa um bom azeite de acabamento, às gotas e no fim.

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Como guardar

O vinagre não estraga, mas perde aroma. Um frasco aberto e guardado ao pé do fogão, com luz e calor, perde em poucos meses aquilo que se pagou.

Guarde-o fechado, num armário fresco e escuro, longe da placa. E prove antes de servir a alguém passados uns meses: se o aroma se tornou apenas ácido, sem as notas que o distinguiam, resta usá-lo numa marinada e abrir outro.