Saiba por que é boa ideia voltar à escola aos 50 anos

Completou 50 anos e acha que já não vale a pena voltar à escola? Este artigo é para si.

Uma das coisas que não nos cansamos de repetir a cada edição da Forever Young é que os 50 anos não são nem o fim do mundo, nem o fim da sua vida. Há muita coisa para fazer a partir desta idade, nomeadamente voltar à escola. Para muitos, os estudos correspondem a uma fase distante da vida. O tempo em que se “era jovem”. E para tantos o curso superior nunca chegou a ser uma realidade, ou porque foi interrompido, ou porque nunca foi sequer começado. Há também aqueles que, ao longo das suas vidas agitadas, nunca encontraram tempo para fazer um curso de alemão, ou espanhol, ou qualquer outro idioma que gostassem de aprender. E não esqueçamos aqueles que têm uma paixão inconfessável pela culinária e nunca se inscreveram numa formação para chefs; ou os que vibram com o badminton na época dos jogos olímpicos, mas nunca foram aprender e praticar a modalidade porque o horário de trabalho não o permitia. E o que dizer dos que olham para os computadores com curiosidade, mas não fazem a mínima ideia de como eles funcionam, nem têm ninguém que lhes ensine?

Cada caso é um caso, mas como se percebe facilmente no curto espaço de um parágrafo, há inúmeras situações relacionadas com o estudo ou a formação que podem ser reequacionadas numa fase mais avançada da vida, tipicamente quando as responsabilidades mais preeminentes desapareceram e o tempo livre já não escasseia, como outrora. Acha que é tarde de mais para voltar à escola? Desengane-se, salte do sofá e comece a planear mais uma entusiasmante fase da aventura que é a sua vida.

Como começar

Dependendo da formação que pretende fazer e do seu tipo, voltar à escola pode ser um processo que se resolve em meia hora ou em alguns meses. Supondo que pretende entrar numa escola de línguas ou num curso de uma área muito específica (pintura, culinária, música, teatro, dança, informática), a única coisa que lhe pode acontecer é ter de esperar até que comece uma nova vaga de formações. Para este tipo de cursos não existe qualquer tipo de limite de idade ou a exigência de conhecimentos anteriores. As suas habilitações literárias, à partida, também são irrelevantes, e a única coisa que o separa de embarcar num destes cursos é mesmo a sua motivação.

Um dos pontos a considerar neste tipo de cursos é se pretende entrar de imediato numa escola particular referente a uma destas áreas, pagando o respetivo preço, ou se existirão alternativas promovidas por entidades públicas, normalmente, câmaras municipais. Uma visita à sua junta de freguesia ou autarquia poderá servir para conhecer a oferta que existe, a nível de formação na sua localidade, e é muito possível que encontre oportunidades que lhe agradem, a preços simbólicos ou mesmo gratuitas.

Uma outra questão que deve considerar quando pensar em voltar à escola é a duração do curso. Se o seu objetivo for desenvolver os seus dotes de culinária, por exemplo, é possível que venha a ingressar numa formação de curta duração, não sendo esta uma boa aposta a longo prazo se tiver também como objetivo uma ocupação de tempos livres duradoura. Pelo contrário, cursos de línguas, de teatro e de música, por exemplo, correspondem a formações que podem perdurar no tempo, até mesmo ao longo de vários anos, podendo aliar a sua paixão por uma destas áreas a uma ocupação de tempos livres que não é meramente provisória.

Muito diferente de entrar para um destes cursos ou formações é a eventual entrada num curso superior. As condições de acesso variam, desde logo, consoante o grau académico que pretende obter. Voltar à escola para ingressar no ensino superior, pela primeira vez, é completamente diferente de reingressar com o objetivo de fazer uma pós-graduação, ou mesmo um doutoramento.

As condições de acesso ao ensino superior também variam do sistema público para o privado e até mesmo entre universidades do mesmo sistema, pelo que não existe uma lista de procedimentos universal que se possa explorar neste artigo. Há universidades que exigem a realização de provas e em que os cursos são os mesmos, independentemente da idade dos alunos. Mas há outras que têm programas especiais para os maiores de 50 que incluem escolaridade desde o primeiro ciclo ao ensino superior, prevendo assim todas as possibilidades, mesmo abaixo da licenciatura.

A melhor forma de se informar sobre o ingresso ao ensino superior é mesmo decidir previamente qual o curso que quer e entrar em contacto com a universidade correspondente. Uma visita presencial é, muitas vezes, a melhor opção na primeira abordagem. Tomar a decisão de tirar um curso superior aos 50 anos, principalmente se se tratar de uma licenciatura com quatro ou cinco anos de duração, deve ser bastante ponderada, no sentido em que esta não é propriamente uma ocupação de tempos livres ao nível de um curso de dança. Tirar um curso superior implica muitas aulas presenciais, horas de estudo, realização de trabalhos e exames, tudo isto ao longo de alguns anos. É uma experiência inesquecível, mas é também um enorme desafio, que só alguns estarão dispostos a enfrentar numa fase mais avançada da vida.

As universidades seniores

Nas últimas décadas as universidades seniores foram alvo de uma grande divulgação e ganharam uma grande expressão em Portugal, depois de um longo caminho trilhado desde a criação da primeira instituição deste tipo, em Lisboa, em 1978.

Apesar de várias movimentações em torno da ideia de fazer crescer o conceito de universidade sénior a nível nacional, foi preciso chegarmos a 2005 para ser criada a Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS), uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), que conta atualmente com mais de 300 universidades seniores com 45 mil alunos e cinco mil professores sob a sua tutela. Embora muito diversificadas, estas universidades estão cada vez mais próximas umas das outras, tendo em comum a promoção de um envelhecimento ativo num ambiente dinâmico e estimulante.

Mas do que falamos exatamente quando nos referimos a uma universidade sénior? Em primeiro lugar, o termo “universidade” é aqui utilizado de uma forma bastante livre, visto que estas instituições não têm cursos na verdadeira acepção do termo, nem conferem aos alunos nenhuma certificação ou grau académico. Na verdade, as próprias aulas são mais espaços de debate do que aquilo a que tradicionalmente se chama de aula.

Agora que sabemos o que as universidades seniores não são, vejamos o que elas são, de facto. São instituições sem fins lucrativos que têm por objetivo proporcionar aos maiores de 50 uma aprendizagem em ambiente informal, combatendo assim o isolamento e a exclusão social. A ideia base é dar às pessoas um objetivo para sair de casa, fazer algo de que gostam e desenvolver uma rede social, evitando assim estarem sozinhas, sem um propósito de vida e, em última análise, infelizes.

As universidades seniores promovem também a intergeracionalidade, através de um conjunto de iniciativas diversas que juntam pessoas de diferentes faixas etárias.

Para ingressar numa universidade sénior, o aluno deve ter, preferencialmente, mais de 50 anos. Por ser possível uma grande variedade de partilha de conhecimentos, existem casos de alunos que são simultaneamente professores na universidade.

Os professores das universidades seniores portuguesas são voluntários e não têm limitações em termos de idade, bastando apenas que tenham mais de 18 anos. Do mesmo modo, os professores voluntários não têm obrigatoriamente de ter um grau académico relacionado com a disciplina que lecionam.

No que diz respeito a horários, as universidades seniores funcionam durante o dia, embora haja algumas com aulas e atividades em horário pós-laboral. Regem-se pelo calendário escolar vigente em Portugal, com início em setembro ou outubro e encerramento em junho ou julho; estão previstas as pausas de Natal, Carnaval e Páscoa.

São autónomas na fixação de valores de mensalidade ou propina, com um valor médio de 12 euros, segundo a RUTIS, na contratação de seguros para professores e alunos e na emissão de cartões de identificação – que proporcionam descontos e outras vantagens aos seus portadores.

As disciplinas e conteúdos programáticos variam também de instituição para instituição. O mesmo se aplica às atividades propostas, pelo que os alunos deverão consultar e, se possível, comparar diversas opções na sua área de residência.

Áreas temáticas e atividades

As universidades seniores da RUTIS devem incidir sobre pelo menos três das seguintes áreas: Ciências Sociais e Humanas, Informática, Artes, Mobilidade e Desporto. A oferta de disciplinas é, por isso, muito ampla e pode incluir línguas estrangeiras, literatura, filosofia, psicologia, teatro, música, pintura, cerâmica, artes decorativas, ginástica, dança ou natação, entre outras.

Entre as diferentes universidades há variações no que diz respeito aos conteúdos programáticos de cada disciplina, mas o objetivo é sempre privilegiar o património cultural português, a mobilidade, o bem-estar dos alunos e o intercâmbio de ideias. A utilização das novas tecnologias é outra base dos conteúdos programáticos das universidades seniores, de forma a contribuir para a inclusão social.

As mais-valias são claras: além do combate ao isolamento e exclusão social, voltar à escola através destas universidades tem a componente educativa, permitindo aos seniores a aquisição de conhecimentos e, mais importante do que isso, a manutenção de atividades de índole intelectual e, claro, social.

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