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WhatsApp: as definições de privacidade que travam burlas

Pessoa mais velha a verificar mensagens do WhatsApp num smartphone
Maria Isadora Ribeiro

A burla mais comum começa com uma mensagem de um número desconhecido a dizer que é um filho. Há definições que reduzem a exposição e uma regra que a desarma.

O WhatsApp tornou-se o principal canal de contacto de muitas famílias e, por isso mesmo, um dos principais canais de burla. As defesas dividem-se em duas partes: umas são definições da aplicação, outras são hábitos. As segundas valem mais do que as primeiras.

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A burla mais comum

Chega uma mensagem de um número desconhecido. Diz ser um filho ou um neto, explica que partiu o telemóvel ou mudou de número, e pede que se guarde o contacto novo.

A conversa desenrola-se com naturalidade durante algum tempo. Depois vem o pedido: uma transferência urgente, porque não consegue aceder à conta ou porque tem um pagamento a expirar.

Funciona porque explora afeto e urgência ao mesmo tempo, e porque a vítima nunca ouviu a voz de ninguém.

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A regra que a desarma

É simples e não depende de tecnologia: perante um pedido de dinheiro por mensagem, telefonar para o número antigo, o que já se tinha guardado, e confirmar por voz.

Se o número novo for verdadeiro, a chamada para o antigo não atende e resolve-se com um segundo telefonema a outro familiar. Se for burla, fica desmontada em trinta segundos.

Vale a pena combinar isto em família antes de acontecer.

As definições que vale a pena mudar

Todas se encontram nas definições da aplicação, na secção de privacidade e de conta.

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Ativar a verificação em duas etapas. É a defesa mais importante contra o roubo da conta. Cria um código próprio, exigido sempre que a conta for registada num aparelho novo. Sem ele, basta a alguém obter o código enviado por SMS para tomar a conta.

Controlar quem o pode adicionar a grupos. Passar de “todos” para “os meus contactos” impede que desconhecidos o insiram em grupos de fraude, que é uma via de contacto muito usada.

Limitar quem vê a fotografia de perfil, o estado e a última vez online. A fotografia de perfil é o que permite a terceiros clonar a identidade de forma convincente.

Reconhecer uma conta clonada

Quando alguém se faz passar por um conhecido, há sinais recorrentes.

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O número é diferente do que está guardado. A fotografia de perfil é a mesma, muitas vezes retirada de redes sociais. A conversa evita chamadas de voz e vídeo com desculpas. E há sempre urgência.

Se o interlocutor se recusa a atender uma chamada, o assunto está encerrado.

O que nunca se envia

Códigos de verificação, sejam de que serviço forem. O WhatsApp envia um código de seis dígitos por SMS quando alguém tenta registar o número: esse código nunca se partilha com ninguém, nem com quem diga ser suporte técnico, nem com familiares.

Se alguém lhe pedir esse código, está a tentar tomar-lhe a conta.

Se a conta for tomada

Voltar a registar o número na aplicação, o que expulsa quem lá está, e ativar de imediato a verificação em duas etapas.

Depois, avisar os contactos por outra via, porque quem tomou a conta vai usá-la para pedir dinheiro a toda a lista.