<br><br><div align="center"><!-- Revive Adserver Asynchronous JS Tag - Generated with Revive Adserver v5.5.0 -->
<ins data-revive-zoneid="25" data-revive-id="6815d0835407c893664ca86cfa7b90d8"></ins>
<script async src="//com.multipublicacoes.pt/ads/www/delivery/asyncjs.php"></script></div>
Partilhar

Solidão: 37,8% dos maiores de 80 vivem sós ou sem família em casa

Mulher idosa sentada sozinha junto à janela da sua casa
Maria Isadora Ribeiro

Mais de um milhão de pessoas vive só em Portugal e mais de metade tem 65 anos ou mais. Viver só não é o mesmo que estar só, mas os dois têm relação.

Há um número dos Censos de 2021 que descreve melhor do que qualquer texto a forma como o país está a envelhecer: 37,8% das pessoas com 80 ou mais anos viviam sozinhas ou sem núcleo familiar em casa, segundo um estudo do INE com base nos Censos 2021. Quase quatro em cada dez.

Escolha a Forever Young como fonte preferida no Google Escolher ›

A dimensão do fenómeno

Em Portugal, mais de um milhão de pessoas vive só, e mais de metade tem 65 anos ou mais.

Olhando de outro ângulo, mais de metade dos agregados unipessoais do país são compostos por pessoas com 65 ou mais anos.

O crescimento foi acentuado entre 2011 e 2021.

Continue a ler após a publicidade

Onde se concentra

A maior parte destas pessoas vive em freguesias do interior, o que agrava o problema por combinar isolamento residencial com menor densidade de serviços, transportes e vizinhança.

É a mesma geografia onde fecharam balcões bancários e onde as distâncias até uma unidade de saúde são maiores.

Viver só não é o mesmo que estar só

A distinção é importante e evita leituras alarmistas.

Viver só é uma situação de composição do agregado, e para muita gente é uma escolha, associada a autonomia e a preferência por manter a própria casa.

Continue a ler após a publicidade

Sentir-se só é uma experiência subjetiva, que pode existir em quem vive acompanhado e não existir em quem vive sozinho.

A relação entre as duas coisas existe mas não é automática. O que a investigação tem vindo a associar a pior saúde não é o número de pessoas em casa, é a qualidade e a frequência do contacto.

Porque é que isto entrou na conversa sobre saúde

O isolamento social figura entre os 14 fatores de risco modificáveis de demência identificados pela comissão do Lancet.

Não é o único efeito documentado. O isolamento tem sido associado a maior risco cardiovascular, a pior adesão a tratamentos e a deteção mais tardia de problemas de saúde, simplesmente porque não há ninguém por perto para dar pelo que mudou.

Continue a ler após a publicidade

O que existe e é pouco usado

Há respostas que funcionam e que dependem de alguém dar o primeiro passo.

Os centros de convívio e centros de dia das autarquias e das instituições de solidariedade são a resposta mais direta e a mais próxima de casa.

As universidades séniores, presentes em centenas de concelhos, combinam atividade e contacto regular.

Existem ainda programas municipais de acompanhamento telefónico e de visitas domiciliárias, com nomes diferentes conforme o concelho, e há forças de segurança com programas de apoio à população idosa que fazem contactos regulares em zonas isoladas.

O que fazer se é da família

Duas coisas concretas valem mais do que a preocupação.

A primeira é combinar uma rotina de contacto, com dia e hora, em vez de telefonemas quando calha. Uma rotina cria expectativa e faz com que a falha seja notada.

A segunda é falar com a junta de freguesia. É a entidade que costuma ter o mapa das respostas locais e que, em muitos concelhos, mantém o registo das pessoas que vivem sós.

Nenhuma destas medidas depende de orçamento nem de burocracia. Depende de alguém decidir que vale a pena.