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Cartão de crédito: onde estão os custos que ninguém explica ao balcão

Cartão de crédito: onde estão os custos que ninguém explica ao balcão
Rogério Junior

Usado com cabeça, é um instrumento útil. Usado em pagamento parcial, transforma-se num dos créditos mais caros que existem.

O cartão de crédito não é um cartão de débito com atraso. É um contrato de crédito, com taxas de juro próprias, e a diferença entre usá-lo bem e usá-lo mal mede-se em centenas de euros por ano.

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A escolha que decide tudo: total ou parcial

Quando adere, escolhe a modalidade de pagamento. Em pagamento total, o valor gasto no mês é debitado integralmente na data de vencimento e, em regra, não há juros. É a utilização que faz sentido para a maioria das pessoas.

Em pagamento parcial, paga-se apenas uma percentagem do saldo e o restante transita, com juros. É aqui que as contas descarrilam: as taxas praticadas nos cartões de crédito estão entre as mais altas de todo o crédito ao consumo.

Se não sabe em que modalidade está, ligue ao banco e pergunte. É uma alteração que se faz por telefone ou na aplicação.

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O número que interessa comparar

É a TAEG, a taxa anual de encargos efectiva global, que junta juros, comissões e seguros associados. Comparar apenas a taxa de juro nominal esconde metade dos custos. O Banco de Portugal publica periodicamente as taxas máximas aplicáveis a cada tipo de crédito.

Levantar dinheiro com cartão de crédito

É das operações mais caras que existem. Costuma ter comissão fixa, percentagem sobre o valor e juros que começam a contar no próprio dia, sem período de isenção. Se precisar de dinheiro, use o cartão de débito.

Anuidades e seguros

Muitos cartões cobram anuidade, por vezes isenta no primeiro ano e depois activada sem grande aviso. Vale a pena verificar o extracto no mês em que costuma ser cobrada e, se não usa o cartão, ponderar cancelá-lo. Alguns cartões trazem seguros associados, que só compensam se corresponderem a necessidades reais.

Compras a prestações dentro do cartão

As campanhas de fraccionamento em prestações sem juros existem, mas convém ler as condições: há casos em que a isenção depende de comissões de processamento, ou em que o fraccionamento activa automaticamente a modalidade de pagamento parcial para todo o saldo.

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Onde o cartão de crédito é útil

Em compras online, porque dá uma camada adicional de protecção em caso de fraude e permite contestar operações. Em reservas de hotéis e aluguer de automóveis, onde é frequentemente exigido. E em viagens ao estrangeiro, com atenção às comissões de câmbio.

Duas regras simples

A primeira: pagar sempre a totalidade do saldo e tratar o cartão como se fosse dinheiro que já saiu. A segunda: activar os alertas por mensagem para cada compra, o que permite detectar utilizações indevidas em horas em vez de em semanas.

E, se já tem saldo acumulado a pagar juros, fale com o banco sobre a possibilidade de o transferir para um crédito pessoal com taxa mais baixa. É uma das conversas que mais dinheiro poupa e uma das que menos gente tem.

Cartão de crédito e burlas

Active as notificações de cada movimento e confira o extracto todos os meses, linha a linha. Pequenos débitos recorrentes de valor baixo, muitas vezes de serviços com nomes estranhos, passam despercebidos durante meses. Se detectar uma operação que não reconhece, comunique ao banco de imediato: há prazos para contestar e a rapidez é decisiva.

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