Elvas é das cidades portuguesas que mais impressionam à chegada e das menos visitadas por quem vive em Lisboa ou no Porto. Fica a dez minutos da fronteira, no Alto Alentejo, e tem uma coisa que não se encontra em mais lado nenhum.
É o maior conjunto de fortificações abaluartadas com fosso seco do mundo. Está classificado pela UNESCO desde 2012 e vê-se de longe, ainda a estrada vai a quilómetros.
Entra-se de carro, e isso resolve a subida
A cidade antiga está no alto, dentro das muralhas, e é aí que está tudo o que interessa ver. A boa notícia é que se entra de carro pelas portas da muralha e se estaciona lá dentro.
A partir daí, o centro histórico é curto e relativamente plano, com as ruas estreitas e a calçada típica. O esforço é o da calçada irregular, não o de subir.
O aqueduto que se vê da estrada
O Aqueduto da Amoreira começou a ser construído no século XVI e levou mais de cem anos a ficar pronto. Tem cerca de oito quilómetros e, no ponto mais alto, os arcos chegam aos trinta metros.
Levava a água da Amoreira até à cidade e ainda hoje atravessa o vale em frente a quem chega. Há sítio para encostar o carro e ver com calma, e é ali que se percebe a escala daquilo.
A praça e a igreja
Dentro das muralhas, a Praça da República é o centro de tudo, com calçada em padrão e esplanadas. De um dos lados está a antiga sé, Nossa Senhora da Assunção, que foi catedral enquanto Elvas teve bispo.
A poucos metros fica a Igreja das Domínicas, pequena e octogonal, toda forrada a azulejo e pintura. É uma das que mais surpreende quem entra sem saber o que vai encontrar.
Os fortes, que são outra visita
À volta da cidade estão o Forte de Santa Luzia e o Forte da Graça, os dois em colinas próprias. Chega-se lá de carro e estaciona-se à porta, o que os torna perfeitamente acessíveis.
Se só tiver tempo para um, escolha o da Graça, que é o mais alto e de onde se vê a cidade inteira, as muralhas e, em dia claro, Espanha.
A ameixa, e não é a fresca
A ameixa de Elvas é uma coisa específica: uma rainha-cláudia descascada e cristalizada em calda, trabalhada à mão durante dias. Tem denominação de origem protegida e não se faz igual em mais lado nenhum.
Vende-se nas confeitarias do centro, em caixas de madeira. É cara, dura meses e resolve o problema das prendas para quem fica em casa.
Como organizar o dia
Aqueduto à chegada, cidade de manhã, almoço dentro das muralhas e um forte à tarde, antes de voltar. A cozinha é alentejana e pesada, por isso convém não ter pressa a seguir.
E se sobrar meia hora, vale a pena dar a volta exterior às muralhas de carro, devagar. É quando se percebe que aquilo não é um castelo: é uma cidade inteira construída para resistir a um cerco.










