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Alcobaça e Batalha num dia: dois mosteiros e pouco andar

Mosteiro da Batalha visto do exterior, com as Capelas Imperfeitas
Foto: Alvesgaspar / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0
Georgia Gonçalves

Vinte quilómetros separam dois dos maiores mosteiros do país e ambos se visitam quase sempre ao nível do chão. Dá para ver Alcobaça e a Batalha no mesmo dia, sem uma única escadaria obrigatória.

Há viagens que se complicam por causa do relevo. Esta não. Alcobaça e Batalha ficam a vinte quilómetros uma da outra, no distrito de Leiria, e os dois mosteiros que lhes deram o nome visitam-se praticamente ao nível do chão. Não há colina para subir, não há muralha para contornar, não há escadaria obrigatória à entrada.

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São ambos Património Mundial e são, por razões diferentes, dois dos edifícios mais impressionantes que o país tem. Vê-los no mesmo dia é possível sem pressa nenhuma, desde que se saiba onde vale a pena demorar.

Vinte quilómetros, vinte e cinco minutos

A ligação entre as duas vilas faz-se em cerca de vinte e cinco minutos de carro. Quem vem de Lisboa tem Alcobaça a hora e meia; quem desce do Porto chega primeiro à Batalha. A ordem não é indiferente. Convém começar por Alcobaça de manhã, quando a igreja ainda está vazia e fria, e guardar a Batalha para a tarde, que é quando a luz entra melhor pelos vitrais.

Alcobaça e a história que toda a gente sabe de cor

O mosteiro foi fundado em 1153, por D. Afonso Henriques, para os monges de Cister. A igreja é a maior do país e é também a mais despida que se pode imaginar: não tem ouro, não tem talha dourada, não tem uma única distracção. São três naves altíssimas, todas à mesma altura, e um silêncio que se nota ao entrar.

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No transepto estão os túmulos de D. Pedro e de D. Inês de Castro, colocados frente a frente para que, no dia do juízo final, a primeira coisa que cada um visse fosse o outro. Os relevos estão gastos nos sítios onde as pessoas tocam há séculos.

A cozinha surpreende mais do que a igreja

É a parte que ninguém espera. A cozinha dos monges tem uma chaminé enorme e um canal de água desviado do rio que atravessa a própria sala, para que o peixe chegasse vivo à mesa sem ninguém ter de sair do edifício. Ao lado fica o refeitório, com o púlpito de onde se lia em voz alta durante as refeições. Toda esta ala é plana e percorre-se devagar.

Batalha e o claustro que ficou por acabar

O Mosteiro da Batalha nasceu de uma promessa feita antes da batalha de Aljubarrota, em 1385, e levou cerca de dois séculos a construir. Nota-se bem: começa gótico e acaba manuelino, com uma renda de pedra no Claustro Real que é das coisas mais trabalhadas que existem em Portugal.

As Capelas Imperfeitas são o ponto alto. Ficaram sem tecto porque a obra parou, e hoje é por ali que entra o céu. Na Sala do Capítulo está o túmulo do Soldado Desconhecido, com guarda permanente e rendição de turno a cada hora certa.

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Como organizar o dia sem correr

Duas horas em Alcobaça e duas na Batalha chegam para ver tudo com calma e ainda sobra tempo para o almoço. Os dois mosteiros têm percursos acessíveis e bancos pelo caminho. O chão é de pedra antiga e irregular em alguns troços, por isso convém sapato raso e com sola que agarre.

O que comer antes de voltar

Alcobaça tem duas coisas que não se encontram iguais noutro lado: o pastel de feijão, que é da vila, e a ginjinha servida em copo de chocolate, que se bebe e se come a seguir. Na Batalha a vila é pequena e come-se bem nos restaurantes à volta do mosteiro, quase todos com cozinha da região.