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Cem anos depois, o café mais famoso de Lisboa desafia novos artistas: a Brasileira do Chiado lança prémio de pintura

Cem anos depois, o café mais famoso de Lisboa desafia novos artistas: a Brasileira do Chiado lança prémio de pintura
Sandra M. Pinto

A primeira geração de quadros de pintores modernistas d’A Brasileira foi colocada no estabelecimento em 1925.

Inaugurada a 19 de novembro de 1905, no Chiado, A Brasileira foi fundada por Adriano Telles, um alvarenguense que emigrara para o Brasil em 1872, ali casando com a filha de um dos maiores produtores de café de Minas Gerais e onde acabaria por se dedicar ao negócio do café.

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Regressado a Portugal em 1898 por recomendação médica a propósito da saúde da mulher, Adriano Telles trouxe do Brasil o negócio, abrindo primeiro A Brasileira no Porto, em 1903 e dois anos depois em Lisboa. O seu apreço pelas artes levou-o a encomendar aos pintores modernistas de então, em 1923, obras que deram espaço e fôlego à arte moderna portuguesa. Almada Negreiros, António Soares, Jorge Barradas, Bernardo Marques, Stuart Carvalhais, José Pacheko e Eduardo Viana – hoje consagrados – foram os autores de um conjunto de telas que viriam a ser colocadas no estabelecimento em 1925, acabando A Brasileira por ser considerada o primeiro museu de arte contemporânea de Lisboa. Em 1971, A Brasileira recebeu a segunda geração de quadros com novos artistas, a mesma que hoje ocupa as paredes do espaço. Ao longo da sua História, A Brasileira foi sendo reconhecida como um lugar de encontros e tertúlias de escritores e de artistas, vinculando uma profunda relação com as artes.

 

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Os 100 anos da primeira geração de quadros expostos n’A Brasileira, que se celebra em 2025, foram o mote para que A Brasileira se reencontre com as artes através do lançamento do “Prémio de Pintura A Brasileira do Chiado”, que se destina a promover os novos valores no domínio das artes visuais, em particular da pintura. O prémio distinguirá 10 obras de artistas nacionais que ficarão em exposição temporária no Café, em 2025, permitindo à comunidade artística e ao público a sua fruição, enquanto as atuais obras serão objeto de restauro.

 

A seleção das obras e a escolha final dos trabalhos premiados está ao encargo de 7 jurados: Tiago Quaresma, Administrador do Grupo O Valor do Tempo, de que faz parte A Brasileira; João Bernardo Galvão Teles, bisneto do fundador d’A Brasileira, jurista e consultor em História e Património; Emília Ferreira, Diretora do Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC); Cláudio Garrudo, Diretor da Unidade de Edição e Cultura INCM; Maria Aires Silveira, Curadora no Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC); José Quaresma, Professor Associado com Agregação da FBAUL e Paulo Almeida Fernandes, Historiador de Arte e coordenador da área de investigação do Museu de Lisboa.

 

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O anúncio dos vencedores está previsto para 19 de novembro de 2024, data em que se assinala o 119º aniversário d’A Brasileira.