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Óbidos fora da época das festas

Óbidos fora da época das festas
Georgia Gonçalves

Óbidos tem dois estados: cheia de festivais e vazia. O segundo é melhor, e acontece precisamente nesta altura do ano.

Óbidos é uma vila inteira dentro de muralhas, com uma rua principal, um castelo convertido em pousada e casas caiadas com barras azuis e amarelas. É também uma das localidades portuguesas com mais eventos por metro quadrado.

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Entre o mercado medieval, o festival do chocolate, o festival literário e a vila Natal, há alturas em que é difícil andar. E há o resto do ano.

A muralha

É possível caminhar em cima da muralha, dando a volta quase completa à vila, com vistas sobre os telhados e sobre a planície.

Convém dizer com franqueza: não tem guarda do lado de fora em boa parte do percurso, o piso é irregular e há degraus altos. Não é passeio para quem tem tonturas, problemas de equilíbrio ou medo de alturas, e não é seguro com crianças pequenas.

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Quem não subir não perde o essencial da visita.

A rua e as igrejas

A Rua Direita atravessa a vila de ponta a ponta e faz-se devagar em meia hora. É toda em calçada portuguesa, escorregadia com chuva, e calçado com boa sola faz diferença.

A Igreja de Santa Maria, no largo central, tem azulejos do século XVII e o túmulo de João de Noronha. A Igreja de São Pedro e a de São Tiago, esta convertida em livraria, completam a visita.

A livraria dentro de uma igreja é uma das imagens mais fotografadas da vila e continua a surpreender quem entra sem saber.

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A ginjinha

Serve-se em copo de chocolate, que se bebe e se come a seguir. Vende-se em cada esquina e é o souvenir por excelência.

Uma nota prática: tem álcool a sério, e três ou quatro copos ao longo da manhã somam mais do que parece.

Quando ir, e a que horas

Fora dos festivais, de manhã cedo ou ao fim da tarde. Os autocarros de excursão chegam por volta das dez e meia e vão-se embora ao fim da tarde, e entre essas horas a rua principal enche.

Em Novembro e em Fevereiro, num dia de semana, é possível ter a vila praticamente só para si.

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Dormir lá dentro

É o que muda a experiência. Quando os visitantes de um dia se vão embora, Óbidos fica silenciosa, com as ruas iluminadas e quase ninguém a circular.

Há a pousada no castelo e várias casas de turismo dentro das muralhas. Os carros ficam nos parques exteriores, e as malas percorrem calçada, o que convém confirmar com o alojamento.

À volta

  • Lagoa de Óbidos, a poucos quilómetros, com passeios planos junto à água;
  • Caldas da Rainha, com o mercado diário da fruta e o Museu José Malhoa;
  • Foz do Arelho, praia ampla e tranquila fora do Verão;
  • Peniche e Alcobaça, ambas a menos de quarenta minutos.

Chegar sem carro

Há ligações regulares de autocarro expresso a partir de Lisboa, com cerca de uma hora de viagem, e paragem junto à Porta da Vila. Para uma visita de um dia, resolve, e poupa a questão do estacionamento, que nos fins-de-semana é o principal aborrecimento.

Quem for de carro deve contar com os parques exteriores. Dentro das muralhas a circulação é muito limitada e não compensa tentar.