O cancro colorrectal tem uma característica que o distingue de quase todos os outros: na maior parte dos casos demora anos a formar-se, a partir de pólipos benignos que crescem devagar na parede do intestino.
Isso significa que existe uma janela longa para o encontrar antes de ser cancro. E é precisamente isso que o rastreio faz.
O teste é simples e faz-se em casa
Chama-se pesquisa de sangue oculto nas fezes. Levanta-se o kit no centro de saúde, faz-se a colheita em casa e entrega-se.
Não dói, não exige preparação intestinal, não exige jejum nem dieta especial nas versões usadas actualmente, e demora dois minutos.
O que procura é sangue em quantidades invisíveis a olho nu, porque os pólipos e os tumores iniciais sangram de forma intermitente e mínima.
Quem deve fazer e quando
O programa nacional de rastreio dirige-se à população entre os 50 e os 74 anos, com repetição de dois em dois anos. A implementação varia entre regiões e nem toda a gente recebe convite, pelo que vale a pena pedir no centro de saúde em vez de esperar pela carta.
Quem tem familiares directos com cancro colorrectal, ou história pessoal de pólipos, doença inflamatória intestinal ou síndromes hereditários, segue um esquema diferente, habitualmente com colonoscopia e a começar mais cedo.
Se der positivo
Positivo não significa cancro. Significa que foi detectado sangue e que é preciso ver porquê, e as causas mais frequentes são hemorroidas e pólipos benignos.
O passo seguinte é a colonoscopia, que é o exame que vê o interior do intestino e que permite, no mesmo acto, remover pólipos encontrados. Essa remoção é, literalmente, prevenção de cancro.
A colonoscopia, sem mitos
A parte mais desagradável não é o exame, é a preparação: a solução que se bebe na véspera para limpar o intestino.
O exame em si é feito com sedação na esmagadora maioria dos casos, e a pessoa não se lembra de nada. Dura entre vinte e quarenta minutos e no mesmo dia volta para casa, acompanhada.
Há quem recuse por pudor. Vale a pena dizer com franqueza: para quem faz o exame, aquilo é trabalho de todos os dias, e nenhum profissional de saúde se lembra de um doente por esse motivo.
Os sinais que não esperam por rastreio nenhum
- sangue nas fezes, vivo ou escuro;
- alteração persistente do trânsito intestinal, com fezes mais finas ou obstipação nova;
- sensação de não esvaziar completamente;
- dor abdominal persistente;
- cansaço com anemia sem causa aparente;
- perda de peso não intencional.
Qualquer destes sinais é motivo para consulta, mesmo em quem fez um rastreio negativo há pouco tempo.
O que reduz o risco
Menos carne vermelha e sobretudo menos carnes processadas, mais fibra, mais leguminosas e vegetais, menos álcool, não fumar, controlar o peso e mexer o corpo.
Nenhuma destas medidas substitui o rastreio, mas todas somam, e o efeito sobre o risco é mensurável.
Porque é que tanta gente não faz
As razões que mais aparecem são sempre as mesmas: não ter sintomas, achar que não é preciso, vergonha, e medo do que se possa descobrir.
A primeira é precisamente a razão pela qual o rastreio existe. Um cancro do cólon que já dá sintomas costuma estar numa fase bastante mais avançada do que um detectado por rastreio. Fazer o teste quando se está bem não é excesso de zelo: é a única altura em que ele serve para alguma coisa.











