Chega a folha das análises e o olho vai direito a uma linha: colesterol total. Se estiver abaixo de 190, alívio. Se estiver acima, preocupação. Nos dois casos, a leitura é incompleta.
As quatro linhas que interessam
O colesterol total é uma soma, e somas escondem o que está lá dentro. Uma pessoa com colesterol total elevado à custa de HDL alto está numa situação completamente diferente de outra com o mesmo total à custa de LDL.
- LDL, o que se deposita nas artérias e o que realmente se quer baixo;
- HDL, o que ajuda a retirar gordura das paredes dos vasos, e convém alto;
- triglicéridos, muito ligados ao álcool, ao açúcar e ao peso;
- colesterol não HDL, que é o total menos o HDL e que hoje muitos médicos consideram mais informativo do que o LDL isolado.
Não há um valor bom igual para todos
Este é o ponto que mais confusão gera. O alvo do LDL depende do risco cardiovascular de cada pessoa, e não de uma tabela universal.
Quem nunca teve problemas de coração, não fuma, não tem diabetes nem tensão alta, vive bem com valores que seriam inaceitáveis noutra pessoa. Quem já teve um enfarte, um AVC ou tem diabetes de longa data precisa de descer o LDL muito mais, por vezes para menos de metade do valor considerado normal na população geral.
Por isso é que faz pouco sentido comparar análises com o vizinho. O mesmo número pode ser tranquilizador num caso e exigir tratamento noutro.
O que a alimentação consegue e o que não consegue
A alimentação e o exercício baixam o LDL, tipicamente entre cinco e quinze por cento. Não é pouco, mas também não é tudo. Uma parte importante do colesterol é fabricada pelo próprio fígado e responde pouco ao que se come.
Quem tem uma predisposição familiar forte pode comer de forma exemplar e continuar com valores altos. Não é falta de força de vontade, é genética.
Ainda assim, há medidas que compensam: reduzir gorduras saturadas, aumentar leguminosas, aveia e fruta, mexer o corpo com regularidade, cortar no álcool e, quando existe, perder peso abdominal. Os triglicéridos, em particular, descem depressa com estas mudanças.
Quando entram os medicamentos
As estatinas continuam a ser o tratamento de base e estão entre os medicamentos mais estudados que existem. As dores musculares acontecem, mas são muito menos frequentes do que a fama sugere, e na maior parte dos casos resolvem-se mudando de estatina ou de dose.
Há hoje outras opções para quem não tolera ou não atinge o alvo, incluindo associações com ezetimiba e fármacos injectáveis para casos específicos. Interromper por conta própria é que não é opção, porque o efeito desaparece em semanas.
De quanto em quanto tempo repetir
Sem factores de risco e com valores normais, de três em três ou de cinco em cinco anos costuma chegar, a partir dos 40 anos. Com tratamento ou risco elevado, o intervalo é anual ou menor, conforme a indicação do médico.
E não é preciso fazer jejum para tudo. Muitos laboratórios já dispensam o jejum para o perfil lipídico, excepto quando os triglicéridos estão muito alterados.











