Biatlo: conheça o desporto que nasceu na guerra e mistura esqui com tiro ao alvo

Se o famoso agente secreto James Bond, o 007, tivesse de praticar um despoeto olímpico, talvez o biatlo fosse o mais apropriado.

O desporto, tradicionalmente presente nas Olimpíadas de Inverno, é uma junção do esqui de corta-mato, também conhecido como esqui de fundo ou cross-country, com tiro esportivo. Duas habilidades bastante apropriadas para o espião britânico.

 

Apesar disso, a Inglaterra não tem nada a ver com o surgimento do biatlo, mas, sim, alguns países escandinavos, como Noruega e Finlândia, além da Rússia. Se procurarmos uma origem mais antiga para essa atividade de esquiar e atirar, chegamos no culto ao deus nórdico Ullr, que era o “padroeiro” tanto do esqui como da caça.

 

A prática em épocas mais modernas, trazem-nos aos exercícios militares da Noruega que, explorando ao máximo a paisagem gelada e cheia de neve, souberam aproveitar com maestria o uso do esqui. Muito do desporto também foi inspirado nos conflitos de fronteira entre a Rússia soviética e a Finlândia nos primeiros movimentos da Segunda Guerra Mundial.

 

No fim da Segunda Guerra Mundial, tanto Finlândia quanto a União Soviética passaram a pressionar o Comité Olímpico Internacional para que o biatlo fosse adicionado às Olimpíadas de Inverno. Competições mundiais do desporto iniciaram-se em 1958 e em 1960 estrearam nas Olimpíadas de Inverno de Squaw Valley, na Califórnia. O que pouca gente sabe é que o biatlo já havia sido exibido como desporto de demonstração na edição dos Jogos de 1924, na França, e subsequentemente em 1928, 1936 e 1948.

 

O primeiro medalhista de ouro da categoria em 1960 foi um escandinavo: o sueco Klas Lestander. A prata foi para o finlandês Antii Tyrvainen e o bronze para o russo Aleksandr Privalov. A prova consistiu num trajeto de 20 km com paragens para atirar nas marcas de 6,5 km, 9,5 km, 12,5 km e 15 km. Os alvos encontravam-se a distâncias entre 100 e 250 metros. Cada tiro errado custava ao atleta 2 minutos de prova.

 

Lestander fez o percurso numa 1 hora e 33 minutos, o que lhe daria apenas o 6º lugar. Porém, os seus tiros foram impecáveis, com 100% de aproveitamento, o que não lhe deu nenhuma penalização e, por consequência, trouxe a medalha de ouro.

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