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Gripe ou constipação: como distinguir e porque isso importa

Gripe ou constipação: como distinguir e porque isso importa
Georgia Gonçalves

Confundem-se todos os anos, mas não são a mesma coisa. Depois dos 65, a gripe é uma doença com risco real de complicações.

Todos os Outonos regressa a mesma conversa. Uma pessoa diz que está com gripe, outra corrige que é só uma constipação, e a distinção parece uma questão de vocabulário. Não é: são vírus diferentes e, sobretudo, riscos diferentes.

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A diferença que mais ajuda

A constipação instala-se devagar, ao longo de um ou dois dias, com nariz entupido, espirros, garganta irritada e, quando muito, febre baixa. Mantém a pessoa funcional, ainda que incomodada.

A gripe instala-se de repente. A pessoa consegue muitas vezes indicar a hora em que começou. Surgem febre alta, dores musculares e nas articulações, dor de cabeça, calafrios e um cansaço profundo que obriga a ficar na cama. Os sintomas do nariz e da garganta podem existir, mas não são o que domina.

Quanto tempo dura

A constipação resolve-se em cerca de uma semana, embora a tosse possa arrastar-se mais. A gripe deixa febre durante três a cinco dias e um cansaço que pode durar duas semanas ou mais, sobretudo em pessoas mais velhas.

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Porque é diferente depois dos 65

Nesta faixa etária, a gripe deixa de ser um incómodo e passa a ser uma doença com risco de complicações: pneumonia bacteriana secundária, descompensação de insuficiência cardíaca, agravamento de doença pulmonar crónica, descontrolo da diabetes e perda de autonomia que não se recupera totalmente.

É por isso que a vacinação anual está recomendada e é gratuita a partir dos 65 anos, e é por isso que a campanha arranca no Outono, antes de o vírus circular.

O que ajuda em qualquer dos casos

Repouso, líquidos em abundância, paracetamol para febre e dores, soro fisiológico ou água do mar para o nariz e ambiente com alguma humidade. Sopas, chá, mel na garganta. Nada disto cura, mas torna os dias suportáveis e evita desidratação, que é um risco real com febre.

O que não ajuda: antibióticos, porque não actuam sobre vírus, e xaropes para a tosse tomados em cima de outros medicamentos sem confirmar interacções.

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Sinais que obrigam a procurar ajuda

Falta de ar ou respiração rápida, dor no peito, confusão ou sonolência anormal, incapacidade de beber líquidos, febre que volta a subir depois de ter passado, tosse com expectoração purulenta e agravamento do estado geral ao quarto ou quinto dia.

Quem tem doença cardíaca, pulmonar, renal, diabetes ou imunidade comprometida deve contactar o médico mais cedo, e não esperar por estes sinais.

Evitar contagiar e ser contagiado

Lavar as mãos com frequência, cobrir a boca com o antebraço ao tossir, arejar as divisões e evitar visitas a pessoas frágeis enquanto houver febre. Quem cuida de uma pessoa dependente deve vacinar-se também, pela mesma razão.

E convém desfazer um mito antigo: a vacina da gripe não provoca gripe. Pode causar dor no braço e mal-estar ligeiro durante um dia, o que não é a mesma coisa.

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Os primeiros dias contam

Existem medicamentos antivirais específicos para a gripe, que podem estar indicados em pessoas com risco elevado de complicações, mas que só têm benefício quando iniciados nas primeiras horas ou dias de sintomas. Por isso, quem tem doença crónica não deve esperar para ver se melhora: um telefonema no primeiro dia pode mudar a evolução.