Partilhar

Insuficiência cardíaca: especialistas sugerem 54 medidas para melhorar cuidados

Um conjunto de especialistas apresenta hoje recomendações para melhorar a gestão e os cuidados prestados aos doentes com insuficiência cardíaca, que se estima atingir cerca de 700 mil portugueses e que é a principal causa dos internamentos hospitalares.

4 Dezembro 2024
Forever Young com Lusa

Num documento que agrega 54 recomendações, especialistas em Cardiologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar sugerem diversas medidas para melhorar o diagnóstico da insuficiência cardíaca, com mais acesso tanto a análises específicas como às novas técnicas de ecocardiografia.

Um ano depois do estudo Porthos, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e que concluiu que um em cada seis portugueses com mais de 50 anos tem insuficiência cardíaca e cerca de 90% nem sequer sabe, os especialistas unem-se agora para sugerir mais comunicação entre cuidados primários e hospitalares, um processo único eletrónico integrado e partilhado entre os diversos níveis de cuidados, equidade no acesso aos meios de diagnóstico mais eficazes e melhor acompanhamento do doente após alta hospitalar.

Em declarações à Lusa, Rui Batista, cardiologista e co-investigador principal do Estudo Porthos, salientou a importância de recentrar o modelo de cuidados de saúde, considerando que ainda está muito virado para a doença aguda (urgências).

“Temos um modelo muito desenhado para doenças agudas, que eram as que existiam mais nos anos 60, 70 e 80. Mas, hoje em dia, o que temos são doentes que sobrevivem às doenças agudas, mas têm doenças crónicas”, explicou, salientando a necessidade de “plataformas intermédias” para acompanhar estas doenças.

Estas “clínicas intermédias” – disse – “são fundamentais para o acompanhamento do doente crónico”.

“Era muito relevante que o SNS favorecesse o desenvolvimento destas plataformas intermédias para acompanhar estes doentes crónicos e evitar internamentos por insuficiência cardíaca”, afirmou o especialista, acrescentando: “Há boa evidência científica de que este tipo de estruturas reduzem entre 30 a 50% os recursos à urgência e os internamentos”.

Segundo explicou, depois de ter sido publicado o despacho que irá concretizar a comparticipação pelo Serviço Nacional de Saúde de novas ferramentas de diagnóstico, importa agora dar formação específica aos profissionais de saúde, focadas na interpretação quantitativa e qualitativa do marcador em causa (na análise sanguínea).

Além de recomendações para melhorar a referenciação dos doentes e o seguimento atempado, usando os resultados do Porthos como argumento para a comparticipação de meios complementares essenciais ao diagnóstico, os peritos apontam ainda para a necessidade de maior literacia.

Neste campo, sugerem formação para os médicos de família a nível nacional sobre diagnóstico e terapêutica e critérios de referenciação de doentes com insuficiência cardíaca, assim como a gestão desta patologia como modelo de doença crónica, com “caminhos integrados” entre os cuidados de saúde primários e hospitalares.

Pretendem igualmente que se promova um maior conhecimento da doença através de campanhas públicas nacionais, “com linguagem acessível e simples” e envolver a Direção Geral da Saúde (DGS) em parcerias de comunicação sobre a insuficiência cardíaca nas redes sociais.

Para aumentar o conhecimento da doença, defendem igualmente que se deve priorizar a insuficiência Cardíaca no Plano de Emergência e Transformação da Saúde, no Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares e no Plano Nacional de Saúde 2030, da DGS.

O estudo Porthos, divulgado há um ano, atualizou as estimativas de 1998, que apontavam para uma prevalência que rondava os 400 mil portugueses com insuficiência cardíaca e que hoje chega aos 700 mil.

A maior parte dos custos ligados à insuficiência cardíaca em Portugal estão relacionados com os internamentos, uma vez que a doença é diagnosticada já numa fase em que se torna mais cara para o sistema.

Um trabalho publicado em 2020 na Revista Portuguesa de Cardiologia estimava que os custos totais da insuficiência cardíaca, por efeitos da evolução demográfica, atingiriam os 503 milhões de euros em 2036. Contudo, na altura a estimativa apontava para a existência de 400 mil portugueses com esta síndrome, números que quase duplicaram.

SO // ZO

Lusa/fim

Mais Recentes

Estudo publicado na revista Nature revela impacto oculto das atividades humanas na natureza

há 9 horas

IRS: novo simulador fiscal permite simular a melhor forma de maximizar reembolso

há 11 horas

Deixe-se levar pela magia da Páscoa no Sheraton Cascais Resort

há 11 horas

Celebre a Páscoa com uma escapadinha em família

há 12 horas

Regule os níveis de açúcar incluindo este alimento (com moderação) nas suas refeições

há 12 horas

Evite os picos de ansiedade pela manhã: coma isto ao pequeno-almoço

há 13 horas

Olhe bem para as suas pernas: podem revelar que está com colesterol alto

há 13 horas

Descubra uma pessoa má em minutos: basta aplicar estes ensinamentos

há 13 horas

«Se quer retardar o o envelhecimento até 30 anos estes 3 alimentos são essenciais», alerta especialista em longevidade de Harvard

há 14 horas

Esqueça tudo o que julga saber sobre envelhecimento: há duas datas a que tem de tomar atenção

há 14 horas

Especialista alerta: «é urgente eliminar imediatamente o óleo destes enlatados; têm 10 vezes mais mercúrio»

há 14 horas

Se tem mais de 50 anos saiba que estas são as 7 doenças mais comuns

há 15 horas

É o verdadeiro “assassino” do mau colesterol: encontre-o escondido por entre os alimentos

há 16 horas

O Sol da Caparica revela o alinhamento completo da 10.ª edição

há 17 horas

Lisboa está agora mais perto de Porto alegre e a “culpada” é só uma

há 17 horas

Com uma depressão a chegar importa saber: como proteger o automóvel de uma chuva de granizo

há 18 horas

Arritmias cardíacas: especialista explica (e alerta) sobre condição que levou ao internamento de Luís Montenegro

há 18 horas

Opinião: «Atividade física e saúde da coluna – um caminho para o bem-estar», Jorge Alves, Cirurgião de Coluna

há 19 horas

À atenção de pais e avós: lições retiradas da série “Adolescência” alertam sobre os riscos digitais para os jovens

há 19 horas

Mexa-se: a importância da atividade física para a saúde

há 19 horas

Subscreva à Newsletter

Receba as mais recentes novidades e dicas, artigos que inspiram e entrevistas exclusivas diretamente no seu email.

A sua informação está protegida por nós. Leia a nossa política de privacidade.