5 livros para quem vive a paixão de viajar

Da África à Ásia, da Europa à América, para cada destino há um autor que se aventurou e que regressou para contar como foi.

«Com guias de viagem assim, não há pormenor que escape», refere a Abreu.

Desconhecida num Comboio
de Jenny Diski

“Não é importante o que fazes.
É a atitude com que atravessas o mundo que importa.”

Seguindo as ligações ferroviárias que cruzam os E.U.A, a britânica Diski encontra pretexto nas gigantescas distâncias de que o país se compõe para lançar um olhar minucioso sobre a paisagem, os hábitos dos companheiros de viagem ou, como de costume, pela sua própria biografia pessoal. Diski vai da Florida ao Arizona, faz uma circum-navegação de Nova Iorque a Portland, ruma de novo a sul através do interior, chega ao Texas e a Nova Orleães até, por fim, regressar a Nova Iorque subindo a costa leste! Não é pouco, mas a autora revela-se a companhia perfeita para tão longo périplo!

O Velho Expresso da Patagónia
de Paul Theroux

“Mas, em boa verdade, os piores comboios levam-nos através das melhores paisagens.”

Uma das vozes incontornáveis da literatura de viagens do século XX, Theroux é também o maquinista de muitos dos clássicos relatos ferroviários do período, seja a bordo do mítico transiberiano, seja nesta viagem única, que permite seguir de Boston ao extremo sul do continente americano sobre carris (com a exceção da Nicarágua, politicamente instável neste momento preciso). No idiossincrático estilo do autor, em que pesquisa histórica rigorosa não impede um olhar sardónico sobre tudo o que o rodeia, são dois meses de percurso que num instante passam pelos dedos de quem o lê!

Viagens
de Olga Tokarczuk

“Mexe-te. Começa a andar.
Abençoado é aquele que parte.”

Mais do que um relato de viagens clássico, esta singular obra da autora polaca, vencedora do prémio Nobel da Literatura em 2018, é uma meditação sobre o que significa movermo-nos não só através da geografia, mas também do tempo e das nossas próprias emoções. As distâncias que percorremos por amor ou dever – bem como a dor que isso por vezes causa – são o ponto de partida para uma dança que observa a condição humana através das temáticas da viagem, anatomia e ciência. Para quem gosta de desafios, Olga é uma guia indispensável, que nos faz refletir e sonhar como ninguém.

Disse-me um Adivinho
de Tiziano Terzani

“Qualquer lugar é uma mina de ouro.
Só tens de dar tempo a ti mesmo e sentar-te numa casa de chá a observar quem passa.”

Falecido em 2004, o jornalista italiano fez carreira como observador de muitos dos eventos históricos mais importantes da Ásia ao longo do século XX. Este seu curioso livro tem um ponto de partida cativante: em 1993, avisado por um vidente de Hong Kong de que não deve, de forma alguma, viajar de avião nesse ano, o escritor tem de encontrar formas alternativas de se deslocar pelo continente. Com Terzani, aqui, cruzamos a Birmânia, a Tailândia, o Laos, o Camboja, o Vietname, a Mongólia, a China, o Japão, a Indonésia, Singapura e a Malásia sem chegar a tirar um pé do chão!

Sul
de Miguel Sousa Tavares

“Há um provérbio crioulo que diz: ‘És tu que deves dirigir a tua vida; não é a vida que te deve dirigir a ti’.”

Se o olhar do viajante é condicionado tanto pela sua sensibilidade quanto pelo seu saber, encontramos aqui um relato próximo da nossa própria mundividência. Em viagens que o levaram a São Tomé e Príncipe, Amazónia, Egipto, Goa, Cabo Verde, Marrocos, Costa do Marfim, Tunísia, Brasil, Caraíbas e África do Sul, o jornalista português partilha impressões como quem fala entre amigos. Acompanhados de fotos, esta espécie de instantâneos levam-nos a conhecer alguns dos locais clássicos da nossa relação com os outros segundo a perspetiva de um dos comentadores culturais mais populares do país.

 

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